População portuguesa vai envelhecer “muito rapidamente”, alerta OCDE

O envelhecimento demográfico não só está a acelerar como vai ser particularmente rápido em Portugal, avisa a OCDE. Pressões aumentam sobre sistema de pensões.

O envelhecimento demográfico estar a acelerar no seio da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). E de acordo com os dados divulgados esta quarta-feira, Portugal está entre os países onde se prevê que esse envelhecimento aconteça de forma “muito rápida”, o que deverá pressionar o sistema de pensões nacional.

“Nos últimos 40 anos, o número de pessoas com mais de 65 anos por cada centena de pessoas em idade ativa (20-64 anos) aumentou de 20 para 31. Em 2030, [esse número] irá provavelmente duplicar para 58″, nota o “Pensions at a Glance 2019”. Nesse relatório, a OCDE destaca mesmo a Grécia, a Coreia do Sul, a Polónia, Portugal, a Eslováquia, a Eslovénia e Espanha como países onde esse envelhecimento acontecerá de modo “muito rápido”.

Tal evolução demográfica, diz a OCDE, pressiona continuamente o sistema de pensões, o que poderá levar a aumentos das contribuições exigidas (o que deverá resultar na redução dos salários líquidos e no aumento o desemprego) ou a novos cortes nas pensões.

Segundo a OCDE, para além da pressão trazida pela envelhecimento demográfico, os sistemas de pensões sofrem com curtas margens de manobra, em termos de sustentabilidade, resultantes do período de crise económica, que deixou dívidas significativas. A este problema soma-se o risco de desigualdade na velhice, o desenvolvimento de novas formas de trabalho e o cenário de baixo crescimento económico.

Perante todos estes fatores, a OCDE conclui que trabalhar durante mais anos é “crucial” para preservar a sustentabilidade financeira do sistema de pensões e manter estas prestações nos níveis atuais.

O relatório nota, contudo, que a subida da idade de acesso à pensão tem sido frequentemente uma das reformas mais contenciosas, isto é, uma das que mais queixas despertou e dúvidas gerou.

A OCDE explica, por outro lado, que este envelhecimento demográfico resulta, por um lado, do reforço da esperança média de vida e, por outro, a redução do número de filhos por casal. “Com base nas mudanças que se preveem até 2060, a Grécia, a Coreia, a Polónia, Portugal, a Eslováquia, a Eslovénia e Espanha envelhecerão ao ritmo mais intenso, enquanto o Japão e Itália continuarão entre os países com as populações mais velhas”, sinaliza-se no relatório.

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