Quase 90% dos atuais acionistas do Benfica são fundadores

O clube defende que a contrapartida da OPA permite a investidores reaverem o que compraram no IPO. Ainda há 24 mil pessoas que o podem fazer.

O Benfica oferece um prémio de 81% para reaver ações na oferta pública de aquisição (OPA) parcial lançada à SAD. O valor avultado é justificado pelo clube por querer dar aos acionistas o montante pago na oferta pública inicial, mas não especifica quantos é que continuam desde 2001. Números a que o ECO teve acesso indicam que mais de metade saíram, mas os que ficaram representam a quase totalidade dos acionistas atuais.

“O preço oferecido por ação visa assegurar que os acionistas que adquiriram as suas ações na sociedade visada no decurso da oferta pública de distribuição realizada em 2001 possam vender as ações de que são titulares a um preço semelhante ao preço nominal a que as mesmas foram então subscritas (1.000 escudos, ou seja, 4,99 euros)”, apontava o anúncio preliminar da OPA.

O ECO sabe que de um total de 50 mil acionistas fundadores, 26 mil já abandonaram a estrutura acionista. Assim, há ainda 24 mil fundadores entre os atuais acionistas do Benfica, o que representa 89% do número de investidores que detêm o capital que não é controlado pela SGPS. Por outro lado, há apenas três mil acionistas que entraram após essa data.

Quando o Benfica abriu o capital no IPO, os benfiquistas puderam comprar títulos a mil escudos. Depois, a entrada em bolsa aconteceu apenas em 2007 e o primeiro dia de negociação foi o único em que a ação superou os cinco euros, tendo chegado a tocar um máximo de 6,02 euros. Desde então, caiu a fundo até ao mínimo histórico de 0,32 euros em 2012. O preço médio até ao dia anterior ao lançamento da OPA (depois disso, disparou 70%) foi de 1,565 euros.

Por um lado, o preço da OPA é desalinhado com as práticas do mercado. Mas, por outro, parece cumprir o propósito de dar aos investidores a possibilidade de reaverem o montante que investiram. Atualizado à inflação (e sem considerar os custos com comissões bancárias), os acionistas que compraram títulos a mil escudos perderam, em termos reais, 26% do investimento.

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