Startup Leavy faz render o seu quarto enquanto vai de férias. E está em Portugal

A francesa Leavy permite aos estudantes arrendar os quartos por forma a que consigam juntar dinheiro para viajar. Além disso, poderão ser também anfitriões nas cidades onde vivem.

Descrita como “uma comunidade de viagens” e sob o mote “viajar mais com menos todos os dias”, a Leavy criou uma aplicação para ajudar os millennials, — geração nascida entre o início dos anos 80 e o final da década de 90 –, a viajarem mais sem se endividarem, mas não só. A aplicação foi lançada esta semana em Portugal, bem como, noutros cinco países e permite reservar viagens, alojamento e outras experiências.

A Leavy é uma empresa de 360.º graus, em que qualquer pessoa, entrando em qualquer uma das comunidades, pode retirar benefícios das restantes e, embora o foco esteja nos millennials, por que é a geração que está a viajar, a aplicação é para todos”, garante ao ECO Sandra Matos, country manager em Portugal

Fundada em 2017 por Aziza Chaouachi, amante de viagens e atual CEO, e a quem se juntaram Yassine Ben Romdhane e Mario Moinet, dois outros cofundadores, a startup criou uma app para permitir aos donos rentabilizar os espaços. Lançada esta semana, além de Portugal a aplicação já está disponível em outros cinco mercados europeus (França, Reino Unido, Espanha, Itália e Holanda) e quer, no próximo ano, voar até ao outro lado do Atlântico, para os Estados Unidos da América.

“Lisboa é um escolha obvia”, começa por dizer Sandra Matos. A representante justifica a aposta no mercado português pela facto de o turismo estar em crescimento e a ser cada vez mais reconhecido. “O prémio que ganhámos ontem [na quinta-feira], os números do crescimento do turismo e, ao contrário do que a maioria dos portugueses pensam, os avanços tecnológicos das cidades” são, na visão da country manager, provas mais do que evidentes para a Leavy estar em Portugal.

A chegar a mais de 65 mil millennials a nível global — o mercado de viagens desta geração está avaliado em 200 mil milhões de dólares, segundo a Bloomberg –, a app está dividida em duas comunidades: happy leavers e hosts on demand. No caso dos happy leavers designação dada aos membros que queriam arrendar os espaços onde vivem –, a Leavy trabalha em duas vertentes: no alojamento local, para os proprietários que queiram entregar a gestão dos seus imóveis à startup ou, para “proprietários que precisem de férias ou de estar ausentes durante algum tempo“, grupo no qual se incluem os estudantes. Neste último caso, o maior foco é o público internacional, já que “o número de estudantes estrangeiros em Portugal aumentou 40%, principalmente em Lisboa”, sublinha a country manager.

A app vem completar tudo isto já que permite reservar os apartamentos, registar os membros hosts on demand e o mesmo estudante, quando for de viagem, pode partilhar por onde andou, os restaurantes que conheceu e ganhar leavy coins com isso. O objetivo é que as pessoas fiquem viciadas na Leavy.

Sandra Matos

country manager da Leavy

Mas, afinal, como conseguem os estudantes ganhar dinheiro através da aplicação quando não são os proprietários dos imóveis? “Durante o período em que não estão a utilizar os quartos ou apartamentos, os estudantes podem ceder-nos a casa ou quarto, mas sempre com a autorização do proprietário. Nesse caso, pagamos a renda pelo estudante, que deixa de ter essa despesa, e o proprietário recebe-a na mesma”, refere Sandra Matos. Este método é o ideal para a empresa, já que permite ao estudante “fazer o que mais gosta, que é viajar”, e aproveitar outros benefícios da aplicação.

No que toca aos valores da renda, estes são sempre negociados mediante “o período em que o estudante põe a casa à disposição, a localização do espaço e os próprios rendimentos do proprietário”, aponta Sandra Matos, acrescentado que uma vez que este negócio é assente no turismo e, sendo o turismo sazonal, “é difícil calcular uma renda fixa“. Por isso, o preço é fixado por dois períodos, tendo em conta “a sazonalidade do turismo, mas também a rentabilidade que o proprietário espera alcançar”, assinala.

"O risco é todo nosso. Mas pensamos que esta é a forma mais correta de se trabalhar porque, se formos trabalhar por comissões, não há um esforço acrescido de tentar angariar clientes. E isso é uma garantia que nós temos. Se não angariarmos clientes estamos a pagar uma renda e não estamos a ganhar nada.”

Sandra Matos

country manager da Leavy

Além de cada espaço ter de ser disponibilizado, no mínimo, durante duas noites seguidas, para que o pagamento seja efetuado é necessário que seja emitida um fatura por parte do proprietário do imóvel, bem como que este tenha uma licença de alojamento local o que, segundo a responsável, “não é muito difícil”. “A maior parte dos imóveis disponíveis para os estudantes durante o verão também estão para alojamento local”, assinala. Depois disso, “nenhum dos dois tem de preocupar-se” e tudo o que acontecer no imóvel é da responsável da Leavy, garante a responsável.

“O risco é todo nosso”

Outro dos fatores diferenciadores desta app é que paga aos seus membros em avanço, ou seja, assim que recebe a fatura a comprovar que o imóvel estará disponível, cada membro é ressarcido até 72 horas depois dessa data. Isto independentemente de uma reserva futura ser ou não realizada.

Este modelo de negócio poderá levar a alguns riscos, já que se a reserva não for efetuada a empresa perderá dinheiro. Por outro lado, se funcionar bem poderá ser bastante lucrativa. “O risco é todo nosso”, admite a country manager. Ainda assim, para a Leavy “esta é a forma mais correta de se trabalhar” já que, se trabalhassem por comissões, não haveria “esforço acrescido de tentar angariar clientes”.

Por outro lado, em declarações ao Tech Crunch (acesso livre, conteúdo em inglês), a presidente executiva da Leavy afirma que a empresa “gera lucros com preços dinâmicos”, acrescentando que o objetivo passa por “encontrar o ponto de satisfação ideal para cada utilizador”.

Host on Demand: venha apresentar a cidade e ganhar dinheiro com isso

Além do arrendamento, existem outras maneiras de os estudantes terem rendimentos extra. Intitulados hosts on demand, os membros desta comunidade são uma espécie de “anfitriões e embaixadores das cidades onde vivem“, sendo que deverão ter atividade aberta nas Finanças, aponta a responsável pela Leavy em Portugal. Neste caso, os hosts funcionam como ponto de contacto entre o hóspede e a empresa, ficando a seu cargo a realização do check-in, check-out, bem como outras funções.

Assim que temos um hóspede confirmado, colocamos o hóspede em contacto com o host on demand e, a partir daí, o anfitrião será a pessoa que vai tratar de tudo do hóspede, ou seja, vai fazer o check-in — que é sempre presencial –, dar algumas dicas sobre a cidade e se, durante a estadia, houver algum problema, estarão sempre em contacto“, explica ao ECO Sandra Matos.

Em geral, o rendimento ganho depende da época do ano em que acontece, do número de hóspedes e “da própria disponibilidade do estudante para aceitar o trabalho ou não”, assinala a country manager. “Tal como acontece com os happy leavers, pagamos em avanço, mas duas vezes por mês: a meio e no final, para as pessoas não estarem tanto tempo à espera do dinheiro. Os valores podem oscilar muito, podendo ir até aos 800 euros por mês “, acrescenta.

Além disso, a aplicação recompensa ainda os utilizadores através de créditos de viagem, as chamadas leavy coins, que funcionam como moeda utilizada dentro da comunidade. Cada utilizador poderá acumular esta moeda pelo número de pessoas que convida a juntar-se à aplicação ou sempre que são partilhados posts ou recomendações de viagens. Com o mote “não gostamos de ter limites”, as leavy coins não têm valor fixo e podem ser gastas em viagens futuras.

Uma vez que a aplicação foi lançada esta semana em Portugal, a country manager da Leavy admite que a app “ainda não está a 100%”. Ainda assim, avança que é expectável que surja ainda uma terceira comunidade destinada aos partners, onde se incluem restaurantes, bares ou empresas de experiências. No fundo, “tudo o que se possa fazer relacionado com o negócio local”, sublinha. A funcionar como uma espécie de Zomato, os membros poderão reservar diretamente os seus serviços na aplicação e “daqui a mais algum tempo, iremos dar a possibilidade de fazer pagamentos com as tais leavy coins no próprio local”, conclui.

Também esta semana foi anunciado que a startup francesa levantou uma ronda de investimento no valor de 14 milhões de dólares (cerca de 12,71 milhões de euros) para lançar esta aplicação. O investimento foi liderado pela Prime Ventures, uma empresa de capital de risco holandesa, com a participação de Dominique Vidal, parceiro na Index Ventures, informou a empresa em comunicado.

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