Calçado português mais “verde”. Quer criar selo internacional único para o mostrar

Setor do calçado lança plano de ação para a sustentabilidade. Uma das 12 medidas passa pela criação de uma etiqueta internacional uniformizada que mostra toda a informação sobre o fabrico dos sapatos.

A indústria mais sexy da Europa quer continuar a sê-lo, mas agora mais “verde”. Criar uma etiqueta uniformizada a nível internacional com informações sobre o local onde cada par de sapatos é produzido, a origem dos materiais utilizados, o seu circuito comercial e a sua pegada ambiental é apenas uma das 12 medidas que compõem o Plano de Ação do Cluster do Calçado para a Sustentabilidade, apresentado esta quinta-feira no Porto.

“Trata-se de um documento ímpar na economia portuguesa, ao procurar criar um pensamento setorial estruturado, visando responder de uma forma integrada aos diferentes domínios da sustentabilidade”, refere o presidente da APICCAPS, Luís Onofre. Sob coordenação da Associação e do Centro Tecnológico do Calçado este documento será uma ferramenta essencial para o reposicionamento estratégico do setor no que respeita à competitiva internacional.O nosso objetivo é que a indústria portuguesa de calçado seja líder no desenvolvimento de soluções sustentáveis”, explica Luís Onofre.

O plano de ação é composto por 12 medidas, distribuídas por cerca de 50 ações em três eixos — planeta, pessoas e empresas — e envolverá um universo de 400 empresas. A estratégia é definida num momento em que a indústria está a abrandar — nos primeiros sete meses deste ano, a faturação fora do país caiu 7,9% e a expectativa é que as exportações recuem 5%, como avançou o Jornal de Negócios.

O objetivo de criar uma etiqueta uniformizada prende-se com a constatação de existirem 400 rótulos ecológicos. “Ninguém se entende”, diz ao ECO, Paulo Gonçalves. O porta-voz da APICCAPS explica que a associação tem “uma solução prevista que espera ver reconhecida internacionalmente e que seja utilizada por todas as marcas”, um pouco à semelhança do que acontece com as etiquetas usadas nos eletrodomésticos. Por exemplo, todos os frigoríficos têm uma rotulagem por letras que indica o nível de eficiência energética dos aparelhos.

Para as empresas que trabalham neste setor é fundamental apostar na informação sobre a formação dos produtos, a sua origem, rastreabilidade, onde as matérias-primas são compradas e o seu circuito comercial, isto porque há “uma clara desinformação, nomeadamente ao nível das matérias-primas”, sublinha Paulo Gonçalves. “Há muitas pessoas que colocam em causa a validade, qualidade e sustentabilidade do couro“, explica. “No entanto, do ponto de vista técnico, não há matéria-prima mais sustentável, já que recicla um produto que é um desperdício da indústria alimentar“, acrescenta.

A aposta na qualidade e durabilidade do calçado também é uma medida amiga do ambiente, já que reduz o número de pares que cada consumidor vai utilizar ao longo da sua vida. Mas as medidas abrangem muitas outras vertentes: materiais reciclados ou fontes renováveis sustentáveis, desenvolvimento de novos materiais, gestão circular de resíduos e produtos, utilização de inteligência artificial, ecodesign do calçado e a neutralidade carbónica, mas também um aumento da produtividade e da competitividade, consolidação das exportações e novos mercados.

A indústria portuguesa de calçado ocupa um lugar relevante na economia portuguesa. Só a nível de exportação, em 2018, a indústria de calçado exportou quase dois mil milhões de euros, para 163 países, o que corresponde a cerca de 95% da produção global. O setor representa para a balança comercial portuguesa um saldo superior a 1.300 milhões de euros. Por isso os industriais contestam, não só por razões ambientais, mas também económicas, que o continente asiático assegure 90% da produção de calçado a nível mundial.

Segundo a Associação Portuguesa de Calçado, o peso do setor na economia portuguesa resultaram de “uma combinação adequada entre o dinamismo empresarial e as políticas públicas, atuando, de modo concertado, nos três fatores mais relevantes para a manutenção e o reforço da competitividade: a promoção comercial e o marketing, a qualificação dos recursos humanos e a inovação. No que respeita a este último aspeto “Portugal tornou-se o maior utilizador de tecnologias inovadoras na fileira do calçado”.

Parceria com a EDP para avaliar eficiência energética das empresas

A APICCAPS celebrou ainda um protocolo com a EDP para ajudar as empresas associadas a avaliar como estão a utilizar a energia e apontar soluções para serem mais eficientes e sustentáveis. Ou seja, uma outra forma de tornar as empresas mais amigas do ambiente.

A avaliação dos níveis de eficiência energética será feita pela EDP no âmbito do protocolo celebrado com a EDP, e as empresas terão de suportar parte dos custos desta avaliação, explicou, ao ECO, Paulo Gonçalves.

A iniciativa também poderia ser elegível para obter apoios comunitários, já que se trata de uma medida de eficiência energética, mas para já ainda não foi entregue nenhuma candidatura nesse sentido.

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