IP executou 53% do investimento ferroviário até setembro, abaixo da meta de 85%

  • Lusa
  • 5 Dezembro 2019

A Infraestruturas de Portugal investiu, nas redes ferroviária e rodoviária, 99,1 milhões de euros até setembro, o que representa 62% do valor previsto.

A Infraestruturas de Portugal (IP) ficou abaixo das metas que tinha assumido, até setembro, no que diz respeito à execução dos plano ferroviário PETI 3+ e 2020, atingindo os 53% face aos 85% previstos, foi esta quinta-feira divulgado.

No documento em que deu conta dos resultados até setembro deste ano, a IP publicou um quadro com os seus objetivos de gestão para setembro e com os resultados reais. Os cálculos foram feitos com base no número de empreitadas lançadas face às previstas, no valor e no prazo dos concursos executados, em comparação com o que foi anunciado.

A empresa investiu, nas redes ferroviária e rodoviária, 99,1 milhões de euros até setembro, o que representa 62% do valor previsto e um aumento de 75% face ao período homólogo de 2018. “De destacar a execução global dos Investimentos Ferrovia 2020/PETI3+, no valor de 69,3 milhões de euros”, avançou a IP, no mesmo comunicado.

No dia 27 de novembro, os deputados da Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação aprovaram a audição do ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, e do presidente da Infraestruturas de Portugal sobre a execução de obras prioritárias do programa Ferrovia 2020. António Laranjo vai ao parlamento no dia 18 de dezembro.

O objetivo é ouvir os dois responsáveis “a propósito do adiamento e cancelamento de obras prioritárias do Programa Ferrovia 2020”.

O Jornal de Notícias e o Dinheiro Vivo noticiaram no passado dia 19 de novembro o adiamento ou atraso de 18 obras programadas no âmbito do programa Ferrovia 2020, tendo o ministro das Infraestruturas admitido, em reação a esta notícia, que há atrasos e constrangimentos em projetos de modernização dos caminhos-de-ferro, mas afastado a hipótese de qualquer cancelamento na execução deste plano.

Nesse mesmo dia, o BE entregou um requerimento, a que a agência Lusa teve acesso, para a audição, “com caráter de urgência”, do ministro da tutela, considerando que é “fundamental obter esclarecimentos sobre a concretização daquele que é considerado, pelo próprio Governo, como um dos programas mais ambiciosos e importantes para a descarbonização dos próximos anos”.

Os atrasos e adiamentos das obras sucedem-se de Norte a Sul do país, existindo casos de intervenções que já só vão ficar concluídas depois do mandato deste Governo, o que contrasta com a posição pública que o executivo tem vindo a demonstrar sobre a prioridade na execução deste plano e a afirmação da importância da ferrovia como setor estratégico do país”, criticou o Bloco.

Por seu turno, o PSD requereu que o presidente da Infraestruturas de Portugal seja ouvido, também com urgência, na Assembleia da República a propósito desta questão.

“Apesar de todas promessas e anúncios sistematicamente feitos pelo primeiro-ministro e pelo partido socialista, de milhares de milhões de euros para a ferrovia e material circulante, reiterados já no arranque desta legislatura pelo mesmo primeiro-ministro e pelo seu Governo, a realidade continua a ser preocupante com as notícias a apontarem para as supressões e atrasos nas ligações ferroviárias, ou para os enormes atrasos na concretização das obras ferroviárias prometidas”, condena o PSD no texto do requerimento enviado à agência Lusa. O CDS também apresentou um requerimento no mesmo sentido.

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