Após três descidas seguidas, Fed mantém juros inalterados. Não espera mudanças em 2020

Banco central dos EUA, liderado por Jerome Powell, decidiu não fazer alterações na política monetária na última reunião do ano. Aponta para um outlook favorável e continuação do crescimento moderado.

A Reserva Federal norte-americana (Fed) não fez alterações nas taxas de juro, na última reunião de política monetária do ano. Após um ciclo de três descidas consecutivas, o banco central liderado por Jerome Powell manteve o intervalo inalterado entre 1,5% e 1,75% e diz que irá continuar a monitorizar os desenvolvimentos globais e pressões sobre a inflação para fazer novos ajustamentos. A decisão foi unânime.

“O comité considera que a atual posição de política monetária é apropriada para suportar a expansão da atividade económica, robustez das condições de mercado de trabalho e inflação próxima do objetivo do comité de 2%”, explicou a Fed, em comunicado, após a reuniões de dois dias.

O mapa de projeções divulgado pela Fed indicam que 13 dos 17 membros do comité não esperam quaisquer alterações às taxas de juro, pelo menos, até 2021. Os restantes quatro antecipam apenas uma subida dos juros no próximo ano e ninguém espera novas descidas nos juros nos próximos dois anos. Mas terá de haver desenvolvimentos nos preços para que haja mudanças nos juros.

Para subir juros, quero ver inflação persistente e significativa. É essa a minha visão”, afirmou Powell, na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio. “Fazer subir as expectativas de inflação do ponto onde estão, um pouco abaixo de 2%, não acontece da noite para o dia. Terá de acontecer à medida que se constrói credibilidade”.

A estratégia da Fed tem sido condicionada pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, que penaliza a economia global e foi uma das razões apontadas pelo banco central para cortar juros três vezes este ano (num total de 0,75 pontos percentuais), quando a expectativa no início do ano era de subidas. Agora, considera que este é o nível “apropriado”.

Fed vê outlook favorável e continuação do crescimento moderado

Em comparação com a última reunião, a Fed removeu a referência a “incertezas” sobre a economia e mostrou-se mais otimista. O nosso outlook económico mantém-se favorável apesar dos desenvolvimentos globais e riscos atuais. Com as nossas ao longo do ano, acreditamos que a política monetária está bem posicionada para servir o povo americano”, afirmou Powell.

O presidente do banco central lembrou que a economia está a crescer há 11 anos — o maior ciclo de sempre –, enquanto a despesa das família é robusto e a confiança dos consumidores sólida. No entanto, o investimento empresarial em exportações mantém-se fraco e a produção industrial tem vindo cair no último ano.

“Crescimento internacional lento e desenvolvimentos comerciais têm pesado sobre esses setores”, disse. “Apesar disso, a economia tem, de forma geral, crescido moderadamente. Com um forte segmento doméstico, bem como condições monetárias e financeiras favoráveis, esperamos que o crescimento moderado continue”.

A instituição manteve as projeções económicas inalteradas, antecipando uma expansão do PIB de 2,2% em 2019, 2,0% em 2020, 1,9% em 2021 e 1,8% em 2022. Sobre a inflação, só houve alterações para este ano, quando espera uma aceleração de 1,6% (menos 0,2 pontos do que em setembro), seguindo-se 1,9% no próximo ano e 2,0% tanto em 2021 como em 2022.

O desemprego foi também revisto em baixa. O banco central espera agora uma taxa de 3,6% este ano (menos 0,1 ponto que a anterior), 3,5% no próximo, bem como 3,6% e 3,7% nos dois anos seguintes (menos 0,2 pontos nos três anos, face às projeções de setembro).

(Notícia atualizada às 20h00)

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