Têxtil quer um 2020 “mais amigo do desenvolvimento da indústria”, diz César Araújo

César Araújo, presidente da Anivec, partilhou com o ECO os desejos que tem para o próximo ano. O presidente espera que a indústria do vestuário mereça mais atenção e um ambiente mais amigável.

A indústria têxtil e de vestuário portuguesa responde por um volume de negócios de 7,8 mil milhões de euros. O setor, que em julho teve o seu melhor mês desde 2002, exportou o ano passado mais de 5,3 mil milhões de euros. Todavia, o setor enfrenta alguns desafios: apostar num futuro mais sustentável, ou captar novos colaboradores, já que têxtil e calçado vão precisar de 400 mil novos trabalhadores até 2030.

Para César Araújo, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção (Anivec), em Portugal o vestuário reúne todas as condições para acompanhar a revolução industrial que se assiste, seja no campo da tecnologia, seja no da sustentabilidade. Em resposta a um desafio colocado pelo ECO, o responsável deseja que “o país continue a apoiar as empresas” e que 2020 “seja um ano mais amigável ao desenvolvimento da indústria”. Estes são os desejos para o próximo ano que o presidente da Anivec partilhou com o ECO.

Um desejo para o país

Portugal vive num contexto internacional muito exigente, o que nos obriga a desenvolver um trabalho mais sofisticado e mais inovador. O facto de termos um grande histórico, com muitas empresas de origem familiar, muita competência e flexibilidade, permite-nos estar preparados para o futuro. Mas precisamos de ambientes mais amigáveis ao desenvolvimento da indústria. E a nossa indústria deve merecer mais atenção, porque potencia riqueza, gera exportações e emprego. Que o nosso país continue a apoiar as empresas, disponibilizando ferramentas que favoreçam a dignidade do trabalho e que permitam às empresas permanecerem competitivas e líderes no mercado mundial.

Um desejo para o seu setor

O setor do vestuário em Portugal reúne todas as condições para acompanhar a revolução que assistimos atualmente no campo da tecnologia e da sustentabilidade. Existem, porém, enormes desafios que o setor tem de solucionar para criar um modelo de desenvolvimento capaz de ultrapassar as dificuldades da transformação digital e por outro lado, aproveitar as oportunidades que se abrem ao nível da ciência, tecnologia, design e marketing.

Um desejo para a sua empresa

Atualmente as empresas vendem mais do que produtos e o desejo é que nos próximos anos as empresas do setor se tornem não apenas referência na área de produção, mas também no desenvolvimento do produto e nos serviços finais que oferecem e possam evoluir para o retalho. Ser proativo e preventivo face aos problemas que vão surgindo é essencial no momento que vivemos. O mercado hoje é dinâmico e reativo e por isso, é essencial que se criem maiores fluxos de comunicação entre as empresas do setor e partilha de conhecimento para conseguirmos criar soluções face à concorrência global. Se conseguirmos que a nossa indústria seja excelente e partilharmos conhecimento dessa excelência, todos teremos sucesso e as crises serão facilmente ultrapassadas.

3 desejos para 2020 é uma série de artigos a antecipar o que vai acontecer no próximo ano, nos mais variados domínios. Desafiámos políticos, empresários, gestores, advogados, reguladores, sindicatos e patrões a revelarem três desejos para o próximo ano: 1) Um desejo para o país, 2) Um desejo para o seu setor e, finalmente, 3) Um desejo para a empresa/entidade que gerem. Todos os dias, até ao final do ano, não faltarão desejos aqui no ECO.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

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  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
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O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

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António Costa

Publisher do ECO

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