Aposta em ações globais foi certeira. Dez melhores fundos nacionais renderam 30%

No melhor ano para as ações desde a crise, os fundos de investimento portugueses fizeram uma aposta certeira. Foram poucos os que não que tiveram ganhos em 2019.

As ações mundiais tiveram, em 2019, um dos melhores anos de sempre. E os gestores de fundos portugueses souberam capitalizar a subida dos mercados acionistas, com estes produtos de investimento a gerarem fortes ganhos para os aforradores. Em centenas de opções, foram raros os casos de rendibilidade negativa. O top 10 conseguiu mesmo retornos próximos de 30%.

A estrela do ano foi o BPI Ações Mundiais da gestora de ativos do BPI. O fundo, que como o nome indica investe em ações globais, conseguiu valorizar 36,83% no ano passado, segundo dados da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP) relativos às rendibilidades anuais registadas até à última semana de 2019.

Este fundo, que apresenta um nível de risco cinco numa escala de um a sete, tem um período recomendado de cinco anos. Nesse período, os ganhos são mais modestos — 10,47% –, exatamente a espelhar o sobe e desce das bolsas.

"Na nossa visão, esta tendência foi provocada por uma combinação de fadiga nos riscos — em particular sobre a escalada de tensões comerciais e um Brexit sem acordo — e algum otimismo quanto a uma recuperação económica cíclica.”

Goldman Sachs

Depois de um 2018 negro para as ações, 2019 foi muito diferente. O ano que terminou foi o melhor desde 2009 (em plena crise), com o índice MSCI World Index a ganhar 24%. “É importante enfatizar que parte dos fortes retornos em 2019 aconteceram devido ao baixo ponto de partida”, lembrou o Goldman Sachs no outlook para 2020.

Ainda assim, o banco de investimento considera que, após um início de 2018 conturbado, “a recuperação das ações a partir de meio de agosto atirou o mercado para o extremo oposto”, registando-se ganhos expressivos nos principais índices mundiais. O Goldman Sachs acrescenta que “esta tendência foi provocada por uma combinação de fadiga nos riscos — em particular sobre a escalada de tensões comerciais e um Brexit sem acordo — e algum otimismo quanto a uma recuperação económica cíclica“.

Máximos de Wall Street ajudaram

Além do BPI, há outros fundos de ações globais na lista dos mais rentáveis em Portugal. É o caso do Caixagest Ações Líderes Globais (sexto fundo mais rentável com um ganho de 32,49%) ou do NB Momentum da gestora de ativos do Novo Banco (que somou 31,31% e ficou logo na posição seguinte). Se o investimento nas ações de topo a nível mundial foi vencedor, houve uma região que se destacou.

O forte momento global foi impulsionado, em parte, pelas bolsas norte-americanas. Wall Street viveu o melhor ano em seis, com o S&P 500 a ganhar 29%, o Nasdaq 35% e o Dow Jones 22%. Todos renovaram máximos várias vezes ao longo do ano, impulsionados por fatores como a expectativa de um acordo dos EUA com a China, pelos cortes nos juros de referência da Reserva Federal norte-americana ou a manutenção do ciclo económico mais longo da história do país.

O ranking dos melhores fundos reflete essa tendência. O fundo BPI América – Classe D, o fundo de investimento aberto de ações com a terceira maior rendibilidade em 2019, tem como objetivo dar acesso a uma carteira de valores emitidos por empresas nos EUA e Canadá (ou admitidos à negociação nesses mercados). As unidades de participação são valorizadas em euros, mas não é feita cobertura de risco cambial relativamente aos ativos. Em 2019, esta estratégia levou a um ganho de 33,83%.

A aposta em ações americanas do fundo da gestora IMGA gerou uma valorização de 33,17% (a quarta melhor do top 10). Já o fundo Caixa Ações EUA ganhou 30,90% (oitavo melhor) e o Santander Ações América rendeu 29,27% (o décimo melhor fundo nacional).

Avalanche de juros negativos afasta fundos das obrigações

Na Europa, as bolsas não deixaram de viver um bom momento, mas com valorizações menos robustas (o Stoxx 600 acumulou uma subida de 23%). Há apenas um fundo entre os 10 melhores cujo investimento foi nesta região, assim como num dos temas que mais atenção ganhou no ano passado: a sustentabilidade. O fundo Caixa Ações Europa Socialmente Responsável, da sociedade gestora detida pelo banco público, a Caixagest detém ações de empresas cotadas na União Europeia, Suíça e Noruega, que se distingam pelas melhores práticas de sustentabilidade. Com um risco cinco e um retorno de 34,08%, foi o segundo melhor.

Num top 10 dominado por ações globais e norte-americanas, este é o único representante da Europa, mas há ainda dois representantes dos mercados emergentes: o BPI Brasil e o Caixa Ações Oriente. Feitas as contas, nove geraram ganhos superiores a 30%, enquanto apenas os dois que se juntam na décima posição valorizaram pouco menos.

Para encontrar os fundos de ações portuguesas é preciso descer mais no ranking. O PSI-20 valorizou apenas 10,2% (aquém das valorizações dos pares europeus) e os fundos IMGA Ações Portugal, BPI Portugal, Santander Ações Portugal e NB Portugal Ações renderam entre 18,75% e 11,1%. Mesmo não sendo comparável aos ganhos dos fundos globais, todos superaram o índice de referência e ficaram entre os que mais subiram.

Situação contrária foi a da dívida. Com os investidores a mostrarem um renovado apetite pelo risco, os fundos de investimento que apostaram em obrigações foram o que tiveram menores retornos num ano marcado por um montante nunca antes visto de yields negativas na dívida: 17 biliões de dólares a nível global.

Em novembro de 2019, o valor sob gestão dos organismos de investimento coletivo em valores mobiliários totalizava 12.270,1 milhões de euros. Ainda não são conhecidos os dados do último mês do ano, mas os primeiros 11 meses indicam uma tendência de aumento no capital captado (ao contrário do que aconteceu em 2018). A Caixagest manteve-se como líder de mercado, seguida da BPI Gestão de Activos e da Santander Asset Management.

Risco deu fortes ganhos aos fundos em 2019

Fonte: Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP)

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