Obras de arte da Coleção BPN vão ser integradas na Coleção do Estado

  • Lusa
  • 27 Janeiro 2020

A Coleção BPN é composta por cerca de 200 obras de arte reunidas pelo ex-Banco Português de Negócios. Ministra da Cultura diz que o Estado comprou a coleção por cinco milhões de euros.

As obras de arte da Coleção BPN vão ser integradas na Coleção do Estado e serão apresentadas na terça-feira, numa cerimónia no Forte de Sacavém, em Loures, anunciou esta segunda-feira o Governo.

De acordo com o Ministério da Cultura, num comunicado hoje divulgado, a “cerimónia de apresentação das obras de arte da Coleção BPN, que serão agora integradas na Coleção do Estado”, marcada para terça-feira de manhã no Forte de Sacavém, contará com a intervenção do ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno, e da ministra da Cultura, Graça Fonseca.

Graça Fonseca, numa entrevista esta segunda-feira ao jornal online Observador, revelou que o Estado comprou a Coleção BPN por cinco milhões de euros e que esta “ficará e será colocada em Coimbra, onde se criará um novo polo de arte contemporânea portuguesa”.

A ministra revelou que o Centro de Arte Contemporânea será criado naquela cidade, “em articulação com o município”.

A Coleção BPN é composta por cerca de 200 obras de arte reunidas pelo ex-Banco Português de Negócios (BPN). O destino das obras aguardava decisão do Governo desde a nacionalização daquela instituição bancária, em 2008.

Este acervo era gerido pela Parups e pela Parvalorem, empresas criadas em 2010 para gerir os ativos e recuperar os créditos do ex-BPN, e cuja nova administração, liderada por Sofia Torres, iniciou funções em março do ano passado, substituindo o anterior presidente, Francisco Nogueira Leite.

De acordo com os relatórios e contas de 2017 das empresas, publicados em março do ano passado, no total, as duas sociedades detêm 196 obras, que foram avaliadas entre 4,1 milhões de euros e 6,1 milhões de euros, sendo 156 obras de artistas nacionais e 40 de artistas estrangeiros, principalmente do século XX.

Ainda segundo os relatórios, as 40 obras de artistas estrangeiros tinham um valor estimado em cerca de um milhão de euros, e as 156 obras de artistas portugueses, em perto de três milhões de euros, para o valor mais baixo do intervalo de avaliação.

A administração anterior fez um depósito de três quadros da pintora Maria Helena Vieira da Silva na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva.

Excetuando estas peças, o acervo de obras de arte do ex-BPN – que se encontrava anteriormente no cofre da Caixa Geral de Depósitos, na avenida 5 de outubro, em Lisboa, – está guardado, desde dezembro de 2016, a cargo da empresa especializada Iterartis, com um seguro contratado com a multinacional Hiscox.

Em várias ocasiões, a anterior administração solicitou instruções às tutelas da Cultura e das Finanças sobre o destino a dar às obras de arte, a última delas em março de 2018.

No acervo do ex-BPN – de onde saiu a polémica Coleção Miró, que estava para ser vendida no estrangeiro, mas acabou por ficar em Portugal – estão obras de artistas consagrados como Paula Rego, Amadeo de Souza-Cardoso, Mário Cesariny, Rui Chafes, Eduardo Batarda e António Dacosta.

João Pedro Vale, Pedro Calapez, Carlos Calvet, Vasco Araújo, Joaquim Rodrigo, Ana Vidigal, Eduardo Nery, João Penalva, Fernando Calhau, João Vieira, Nadir Afonso, Eduardo Batarda, António Sena, José Pedro Croft, Nikias Skapinakis, João Penalva, Pedro Casqueiro, Jorge Martins e Carlos Calvet também estão representados neste acervo.

(Notícia atualizada às 16h08 com mais informação)

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