Bancos reclamam 18 milhões à Orey

Entre os mais de 350 credores no PER da Orey estão os principais bancos nacionais, que reclamam 18 milhões de euros. Total dos créditos reconhecidos ascende a mais de 58 milhões.

Orey tem dívidas ao Santander, Novo Banco, BCP e CGD.

Os principais bancos nacionais como o Novo Banco, a Caixa Geral de Depósitos (CGD), o BCP e o Santander estão entre os mais de 350 credores da Orey Antunes, reclamando 18 milhões de euros. A dívida reclamada pela banca representa 30% do total dos créditos reconhecidos: 58,2 milhões de euros. De fora ficaram créditos na ordem dos 7,5 milhões, que não foram reconhecidos pelo administrador judicial do processo de recuperação da sociedade.

A Orey Antunes avançou em dezembro com um pedido de Processo Especial de Revitalização (PER). Para assegurar a sua viabilidade, pede um perdão de dívida no valor de 50 milhões de euros, que abrange não só os bancos, mas também obrigacionistas e outras entidades. O credores tinham até ao final do ano passado para reclamarem os créditos.

Cerca de quatro semanas depois de terminado esse prazo, a lista provisória de credores da Orey deu agora entrada no tribunal de Lisboa. O Novo Banco surge como o maior credor. A instituição liderada por António Ramalho reclama créditos no valor de 8,1 milhões à empresa de transporte e logística. Grande parte desta exposição diz respeito a um empréstimo obrigacionista: 7,7 milhões. Outros 450 mil euros correspondem a créditos comuns.

A seguir surge a CGD. Ao banco público foi reconhecido um crédito de 4,7 milhões de euros. Em causa está um empréstimo no valor de 4,56 milhões, aos quais se somam 120 mil euros em juros e 3.000 euros em comissões. Foi reconhecido como sendo um crédito comum, isto apesar de o financiamento original estar garantido por ações do fundo OCP SICAR, através do qual a Orey Antunes controla os principais ativos na sua posse, nomeadamente os negócios de transporte e logística em Portugal e Espanha (empresa Horizon View) e Angola e Moçambique (empresa Lynx BV). A OCP SICAR controla ainda as chamadas “empresas técnicas” ASN e OIR.

Há cerca de um mês, a CGD disse ao ECO que “estava surpreendida com a entrada do PER” da Orey Antunes, isto apesar de ter chegado a tentar pedir a insolvência da empresa de Duarte d’Orey, como revelou o Jornal de Negócios.

Já o BCP reclama 3,3 milhões de euros à Orey, na sua maioria créditos comuns. Com exposições mais reduzidas estão o Santander Totta (1,34 milhões de euros), BBVA (338 mil euros) e Saxo Bank (153 mil euros).

Quanto é que os bancos pedem à Orey?

Fonte: Tribunal Comarca de Lisboa

Reconhecidos 58 milhões, 7,4 milhões de fora

De acordo com a lista provisória, foram reconhecidos créditos no valor de 58,2 milhões de euros, dos quais 30 milhões correspondem a um empréstimo obrigacionista subscrito por vários investidores, incluindo de sociedades da Orey. Por exemplo, há um crédito no valor de 4,1 milhões reconhecido à Orey Financial, que está em liquidação e já deixou de ter licença bancária.

Nos outros credores, onde estão os bancos e outras entidades como a Autoridade Tributária, a Segurança Social, escritórios de advogados e consultoras, fornecedores de bens e serviços como a EDP, foram reconhecidos créditos que rondam os 28 milhões de euros. Já os trabalhadores da empresa viram reconhecidos créditos no valor de cerca de 60 mil euros.

No total, foram reconhecidos créditos de 351 entidades.

Por outro lado, o administrador judicial não reconheceu créditos no valor de 7,4 milhões de euros, envolvendo mais de duas dezenas de investidores. Estes créditos dizem sobretudo respeito a um financiamento obrigacionista que tem como devedor originário uma sociedade de direito holandês chamada Araras Finance.

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