Sonangol não reclamou das transferências no EuroBic

  • ECO
  • 30 Janeiro 2020

Carlos Saturnino acusou publicamente Isabel dos Santos de fazer "transferências monetárias irregulares", mas nunca questionou o banco. Após receber o extrato anual, tinha 60 dias para o fazer.

A petrolífera estatal angolana Sonangol nunca questionou o EuroBic sobre as transferências que esvaziaram as contas bancárias, em 2017, e que foram agora conhecidas pelo caso Luanda Leaks, segundo noticia esta quinta-feira o Jornal de Negócios (acesso pago). As transferências foram feitas para a empresa offshore Matter Business Consulting, controlada por Jorge Brito Pereira, advogado de Isabel dos Santos, com sede no Dubai.

A empresa tinha 60 dias para o fazer após ter recebido o extrato em dezembro de 2017, mas nunca o fez, nem mesmo após as denúncias de Carlos Saturnino contra Isabel dos Santos no ano seguinte, diz o Negócios. O Correio da Manhã já tinha revelado que a empresa angolana não tinha feito qualquer pedido ao banco liderado por Teixeira dos Santos.

O consórcio de jornalismo de investigação (ICIJ) revelou mais de 715 mil ficheiros que revelam como Isabel dos Santos conseguiu tornar-se na mulher mais rica de África. De acordo com a investigação, a filha do ex-presidente de Angola terá utilizado fundos públicos para fazer crescer a sua fortuna. Foi na liderança da Sonangol que terá, com recurso ao EuroBic, transferido 115 milhões de dólares para uma sociedade sua no Dubai.

Só num dia, foram 57 milhões retirados de uma conta do banco. Mas estes movimentos não só não suscitaram dúvidas ao banco como não levaram a petrolífera a questionar a instituição financeira liderada por Teixeira dos Santos, apurou o jornal.

A Sonangol não fez qualquer reporte oficial mesmo depois de o sucessor de Isabel dos Santos na liderança da Sonangol, Carlos Saturnino, ter acusado publicamente a empresária de ter feito “transferências monetárias irregulares ordenadas pela anterior administração”, bem como de uma dessas transferências ter levado o Ministério Público de Angola um inquérito-crime. Ainda assim, a petrolífera ainda o pode fazer.

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