Quão inteligentes e sustentáveis são as cidades portuguesas? Municípios dão a resposta no Smart Cities Tour

O Smart Cities Tour é um projeto desenvolvido pela ANMP e a NOVA Information Management School, com os parceiros do mundo empresarial Altice Portugal, CTT e EDP Distribuição.

Qual o grau de inteligência urbana das cidades em Portugal? A NOVA Information Management School fez a pergunta e os municípios portugueses responderam: da Secção Cidades Inteligentes fundada em 2016 pela Associação Portuguesa de Municípios Portugueses (ANMP) fazem parte 136 autarquias de norte a sul do país (32% de um total de 308 municípios). Destas, 27,3% possuem já uma estratégia Smart City e em 16% existe uma plataforma de inteligência urbana. Em 86,4% há também um responsável político para a área de Smart Cities e em 70,5% trabalha um responsável técnico nesta área.

Rede Wi-Fi pública (em 80% das cidades inteligentes), orçamento participativo (65%), sistema ‘fix my street’ (48%), iluminação pública inteligente (41%), gestão inteligente de resíduos sólidos urbanos (36%), turismo inteligente (36%) e gestão inteligente de espaços verdes (30%) são as principais apostas das smart cities nacionais.

Na prática, estes esforços de sustentabilidade e eficiência das cidades têm também implicação direta na poupança de recursos. De acordo com a IDC, empresa de ‘market intelligence’ e consultoria para os mercados das Tecnologias de Informação, Telecomunicações e Electrónica de Consumo, a implementação de sistemas inteligentes nas cidades permite, por exemplo, uma poupança de 40% no desperdício de água; de 50% nos custos com a iluminação das vias públicas (com um retorno do investimento em seis anos); de 40 a 80% na fatura com a coleta de resíduos sólidos urbanos; e de 20 a 30% com sistemas de estacionamento inteligentes (smart parking, com o investimento recuperado em dois anos).

Estes resultados estão espelhados no Radar de Inteligência Urbana, um inquérito online realizado pela NOVA Cidade – Urban Analytics Lab em 2019, e estarão este ano em destaque na 4ª edição do Smart Cities Tour 2020, dedicado ao tema “Desafios e Oportunidades para 2030” e que arranca já esta quarta-feira. .

Ao longo do ano, o tour de workshops temáticos da ANMP percorrerá seis cidades com seis temas diferentes em debate: “Cidade Circular” em Valongo, já esta quarta-feira, 12 de fevereiro; “Smart Grids e Comunidades de Energia Zero Carbono” em Évora, a 27 de maio; Mobilidade Sustentável na Covilhã, a 30 de junho, Turismo Inteligente em Monchique, a 29 de setembro; Inovação Inteligente em Oeiras, a 4 de novembro. Soma-se ainda uma passagem por Campo Maior, para debater a Coesão Inteligente. O périplo nacional termina com a Cimeira dos Autarcas, em Coimbra, a 25 de novembro.

“Os municípios portugueses têm vindo a tornar-se cada vez mais inteligentes. A prova disso são os resultados do projeto Radar da Inteligência Urbana”, sublinha Miguel de Castro Neto, subdiretor da NOVA Information Management School e Coordenador da NOVA Cidade – Urban Analytics Lab.

“Portugal dispõe de ótimos exemplos de transformação digital das cidades e o interesse dos municípios portugueses no tema é um bom prenúncio do trabalho que ainda pode ser desenvolvido neste contexto. As Smart Cities são um conceito emergente em todo o mundo e no qual Portugal pode e deve afirmar-se. As nossas cidades dispõem de excelentes condições de desenvolvimento e aplicação das novas plataformas, desde logo, devido às suas dimensões. Este será o próximo passo, a integração horizontal dos vários pilares verticais da inteligência urbana, de forma a que estes possam comunicar e decidir automaticamente entre si”, explica ainda Miguel de Castro Neto.

Na foto, da esquerda para a direita: João Torres, presidente do Conselho de Administração da EDP Distribuição; António Almeida Henriques, autarca de Viseu e presidente da Secção Cidades Inteligentes, da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP); Alexandre Fonseca, presidente executivo da Altice Portugal; João Sousa, administrador executivo dos CTT; Miguel de Castro Neto, subdiretor da NOVA Information Management School.

Já a ANMP apresentou o documento “30 Propostas + Portugal” para tornar as cidades portuguesas mais inteligentes (ao nível do capital humano, identidade, infraestruturas, conetividade e dados), ao mesmo tempo que defende a criação de um plano nacional de transformação digital para o território, intitulado Autarquias 4.0. Este plano reúne contribuições dos municípios portugueses e define as prioridades e os eixos de atuação que os autarcas querem ver debatidos com o Governo no âmbito do novo quadro financeiro plurianual Portugal 2030.

“Há fundos comunitários por executar, que têm de ser aproveitados. O Banco Europeu de Investimento devia criar uma linha direta para a inteligência urbana”, defendeu António Almeida Henriques, autarca de Viseu e presidente da Secção de Municípios Cidades Inteligentes, da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP).

“2020 é o momento certo para debater a programação do novo quadro de financiamento europeu e apoiar a conceção de novas soluções para o necessário investimento dos municípios no desenvolvimento de cidades e vilas inteligentes e sustentáveis. Vamos propor ao Governo a criação de uma estratégia nacional de transformação digital do território, a estratégia Autarquias 4.0, porque consideramos ser uma condição essencial para o seu desenvolvimento e coesão. Ninguém se fixa no interior sem acesso a internet e rede móvel, por mais incentivos que se anunciem”, acrescentou ainda o presidente da Câmara Municipal de Viseu.

O Smart Cities Tour é um projeto desenvolvido pela ANMP e a NOVA Cidade – Urban Analytics Lab, da NOVA Information Management School, com os parceiros do mundo empresarial Altice Portugal, CTT e EDP Distribuição.

Para Alexandre Fonseca, presidente executivo da Altice Portugal, “com esta parceria, a empresa pretende, uma vez mais, promover o debate e a proposta de medidas concretas sobre os novos desafios das cidades. Mobilidade, Smart Tourism, Inovação Inteligente são exemplos de alguns dos temas que estarão em discussão e que mostram como através da inovação e soluções tecnológicas vamos tornar as nossas cidades mais inteligentes, mais eficientes, mais seguras e mais limpas”. Parceira do Smart Cities Tour desde 2017, a Altice promete levar “inovação e investimento a todo o território sem distinção” e, nas palavras de Alexandre Fonseca, afirma-se como “marca sinónimo de inovação made in Portugal”, com um investimento de 86 milhões de euros nesta área em 2018.

Do lado da EDP Distribuição, que há 20 anos tem contratos firmados com os municípios portugueses para operar a rede de baixa tensão, João Torres, presidente do Conselho de Administração da empresa, sublinhou os esforços de modernização da rede elétrica. “Reflexo dessa aposta é a infraestrutura digital já instalada de 7 mil pontos de telecomando, 20 mil postos de transformação monitorizados, 2,6 milhões de equipamentos de medição inteligente (smart meters) e 100% de iluminação pública supervisionada remotamente”, disse o responsável da EDP Distribuição.

Pelo terceiro ano consecutivo, também os CTT – Correios de Portugal voltam a apoiar esta iniciativa. “Esta parceria permite-nos reforçar a proximidade com os stakeholders, fortalecendo as relações entre as duas partes e é também relevante na medida em que a criação de ambientes interativos, permitem a aproximação a mercados e públicos-alvo específicos, potenciado desta forma a diferenciação do Grupo CTT”, notou João Sousa, administrador executivo da empresa. Na sua apresentação, no lançamento do Smart Cities Tour 2020, frisou ainda o investimento de 40 milhões de euros da empresa nas áreas de inovação e modernização, com destaque para a aposta no comércio digital.

“Os CTT têm a maior frota elétrica do país no setor da logística, com cerca de 300 viaturas, e têm empreendido várias medidas de apoio à biodiversidade e de combate às alterações climáticas, expressa através dum portefólio ecológico ou carbonicamente neutro (Correio Verde, DM Eco e Expresso/Encomendas) e da aposta na eficiência energética e carbónica, que permitiram aos CTT reduzir a sua pegada carbónica em 64% entre 2008 e 2017”, rematou.

Comentários ({{ total }})

Quão inteligentes e sustentáveis são as cidades portuguesas? Municípios dão a resposta no Smart Cities Tour

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião