PIB abrandou para 2% em 2019, mas cresceu mais do que Governo esperava

A economia portuguesa cresceu 2% em 2019, revelou esta sexta-feira o INE. Esta subida representa um abrandamento face ao ano anterior, colocando-a numa taxa igual à observada em 2016.

A economia portuguesa cresceu 2% no ano passado, revelou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). Esta subida representa um abrandamento face ao aumento do PIB de 2,4% registado um ano antes e configura uma taxa de crescimento igual à registada em 2016. Apesar disso, Centeno superou a meta.

O Governo, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Conselho das Finanças Públicas (CFP) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) antecipavam um crescimento económico de 1,9%. A Comissão Europeia e o Banco de Portugal tinham uma previsão de crescimento uma décima superior (2%).

Os dados publicados esta sexta-feira pelo INE confirmam assim a boa notícia antecipada esta quinta-feira por Bruxelas que, nas previsões com informação mais atual (até 4 de fevereiro), apontava para uma subida do PIB igual à que acabou por se verificar.

Além disso, os dados publicados esta manhã pelo Eurostat, confirmam que Portugal voltou a crescer mais do que a média da Zona Euro (1,2%) e do que a União Europeia (1,4%).

A taxa de crescimento do PIB registada no ano passado compara com a observada em 2016 quando a economia cresceu precisamente 2%. Nesse ano, o desempenho da economia estava a desenhar uma trajetória ascendente que culminou com uma subida do PIB de 3,5% em 2017. Depois disso, começou a travar, marcando uma subida do PIB de 2,4% em 2018 e de 2% em 2019. O ano passado é assim o segundo de abrandamento.

Com os valores agora conhecidos e as previsões para 2020, a trajetória desenhada pelo Executivo no Orçamento do Estado para este ano aponta para uma nova desaceleração no ano em curso, já que para 2020 o Governo inscreveu uma previsão de crescimento do PIB igual a 1,9%. Isto de acordo com as previsões que estão em cima da mesa. Para breve está prevista nova atualização de projeções. Em abril o Ministério das Finanças tem de enviar para Bruxelas o Programa de Estabilidade.

Consumo privado travou no ano passado

A informação publicada esta sexta-feira pelo INE ainda não contém toda a informação sobre o que se passou no ano passado, mas deixa algumas pistas. O abrandamento face a 2018 “resultou do contributo positivo menos intenso da procura interna, refletindo o abrandamento do consumo privado”. Já a procura externa líquida (que mede a diferença entre exportações e importações) apresentou um “contributo ligeiramente menos negativo que em 2018, verificando-se uma desaceleração das exportações e das importações de bens e serviços”.

Apesar do abrandamento entre 2018 e 2019, a economia apresentou na reta final do ano passado um comportamento mais favorável. Nesse período, o PIB cresceu 2,2% em termos homólogos e 0,6% face aos três meses imediatamente anteriores. Nos dois casos trata-se de uma aceleração face à taxa de variação homóloga de 1,9% observada no terceiro trimestre e a taxa de variação em cadeia de 0,4% registada nesse mesmo período.

O INE explica que no final de 2019 “o contributo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB foi positivo no 4º trimestre, após ter sido negativo nos trimestres anteriores, observando-se uma aceleração das exportações de bens e serviços e uma desaceleração das importações de bens e serviços”. Já “a procura interna registou um contributo positivo menor que o observado no trimestre anterior, verificando-se uma desaceleração do consumo privado e da Formação Bruta de Capital Fixo”, ou seja, do investimento.

No caso da evolução da taxa de variação em cadeia “o contributo da procura externa líquida para a variação em cadeia do PIB passou de negativo a positivo no 4º trimestre, enquanto o contributo da procura interna foi negativo, após ter sido positivo”.

No dia 28 de fevereiro, o INE publica informação mais detalhada sobre o que se passou no quarto trimestre e no conjunto de 2019.

Costa no Twitter salienta “boa notícia” para Portugal

O primeiro-ministro considerou hoje que a economia portuguesa registou um crescimento de 2% em 2019, que foi “particularmente forte” na parte final do ano e acima das previsões de analistas e dos principais organismos internacionais.

Esta posição foi transmitida por António Costa na sua conta pessoal na rede social “Twitter”, depois de o INE ter estimado que a economia portuguesa cresceu em 2019 uma décima acima das previsões do próprio Governo.

“Acima das previsões e superando as expetativas dos analistas e principais organismos, a economia portuguesa cresceu 2% em 2019, com um final de ano particularmente forte. Os números falam por si: É o terceiro ano consecutivo em que convergimos com a União Europeia“, escreveu o primeiro-ministro.

Segundo António Costa, a divulgação destes dados constitui uma “boa notícia para Portugal”.

“É o resultado do esforço das empresas e dos trabalhadores portugueses. Confirma que estamos no caminho certo”, sustentou António Costa.

(Notícia atualizada às 15:35 com reação do primeiro-ministro)

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