“Começa agora novo ciclo de atualizações salariais anuais” na Função Pública, diz Governo

Os aumentos da Função Pública chegam a todos os trabalhadores, pela primeira vez em dez anos. É o começo de um "ciclo de atualizações salariais anuais", promete Executivo de António Costa.

O Ministério de Alexandra Leitão anunciou, esta quarta-feira, aos sindicatos da Função Pública que, afinal, os salários mais baixos terão aumentos de dez euros, mantendo-se a subida de 0,3% para os restantes. A proposta chegou acompanhada também de um compromisso do Executivo de levar cabo “atualizações salariais”, nos próximos anos, em linha com a inflação.

“Começa agora um novo ciclo de atualizações salariais anuais”, assegurou aos jornalistas o secretário de Estado da Administração Pública. À saída das reuniões com os sindicatos, José Couto sublinhou que o “compromisso do Governo é claro”. Em 2021, por exemplo, a atualização salarial será, pelo menos, igual à taxa de inflação prevista para 2020 (cerca de 1%), mesmo que a variação de preços efetivamente registada seja inferior.

Para os anos seguintes, o modelo deverá manter-se, indicou o secretário de Estado, referindo que deverá ser a inflação a guiar esses aumentos. Ainda assim, José Couto não esclareceu se será a taxa estimada para o ano anterior a ditar essas atualizações (como já é certo que acontecerá em 2021) ou se será a taxa prevista para o próprio ano dos reforços remuneratórios a fazê-lo (como tinha sido tradição na Função Pública antes do congelamento). Atirou esta questão para as negociações de cada ano.

Sobre os aumentos a aplicar em 2020, o secretário de Estado frisou que este é o primeiro ano numa década em que se faz uma atualização a todos os salários do Estado, tendo sido dados “passos consequentes e firmes” até onde foi possível chegar.

“Sempre disse que se chegava até onde fosse possível chegar, com solidez”, salientou José Couto. Em dezembro, o responsável já tinha dito que o Governo tinha ido “até onde podia” com os aumentos de 0,3% para a generalidade dos trabalhadores públicos, subida à qual acabou por ser adicionado um reforço extra para os salários mais baixos. Em causa está um aumento de dez euros para a quarta posição (635,07 euros mensais) e para a quinta posição (683,13 euros mensais) da Tabela Remuneratória Única.

Tudo somado, os aumentos deste ano custarão ao Estado cerca de 95 milhões de euros: 26 milhões de euros para as subidas de dez euros dos salários mais baixos e 69 milhões de euros para os demais trabalhadores.

À saída das reuniões com o Governo, as três estruturas sindicais que representam a Função Pública disseram-se surpreendidas e desiludidas com os aumentos anunciados pelo Executivo, prometendo responder com luta.

O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) apelou mesmo a uma “resposta conjunta” de trabalhadores do Estado e trabalhadores do privado, já que estes aumentos “penalizam” a negociação coletiva. “Estamos todos unidos”, acrescentou a Federação dos Sindicatos da Administração Pública (FESAP), avisando que está marcado um plenário para decidir esses protestos para depois do Carnaval.

A Frente Comum prometeu também uma resposta a estes aumentos “ofensivos”, que não deverá ser inferior em força à manifestação levada a cabo a 31 de janeiro também por este motivo.

Questionado sobre essas reações, o secretário de Estado disse ver com “normalidade” estas posições e confessou “dificuldades de aproximação muito grandes” entre a margem que o Governo tinha disponível e as propostas exigidas pelos diversos sindicatos (aumentos de 90 euros pedia a Frente Comum, 2,9% a FESAP e 2% o STE).

José Couto confirmou, além disso, que este ano não haverá qualquer mudança às férias e ao subsídio de refeição dos trabalhadores do Estado, ainda que a ministra da Administração Pública tenha chegado a mostrar abertura para tal.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

“Começa agora novo ciclo de atualizações salariais anuais” na Função Pública, diz Governo

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião