Fundo da Square paga 47 milhões por antigos imóveis do Sporting

A gestora de fundos Square Asset Management comprou quatro imóveis na capital à Explorer Investments por 50 milhões. Dois já tinham pertencido ao património do Sporting.

A Square Asset Management (Square AM) comprou quatro imóveis na capital que estavam a ser vendidos desde o início do ano passado pela Explorer Investments, sabe o ECO. Esta gestora nacional, liderada por Pedro Coelho, desembolsou mais de 47 milhões de euros por estes edifícios, que incluem o Visconde de Alvalade e a CUF Alvalade Clínica, outrora património do Sporting.

A operação ficou concluída em dezembro do ano passado, por um total de 47,2 milhões de euros, de acordo com informações da carteira do fundo CA Património Crescente. Estes imóveis entraram para o mercado no início do ano passado, tal como o ECO noticiou, e, em causa estão o Edifício E, no Alfrapark em Alfragide (13,5 milhões de euros) e o Edifício Smart, no Parque das Nações (12 milhões de euros).

Do pacote faziam também parte o edifício Visconde de Alvalade, que acabou vendido por 18 milhões de euros, e a CUF Alvalade Clínica (3,7 milhões de euros), ambos localizados junto ao estádio do Sporting. Mas o “pacote” que os donos do Penha Longa Resort tinham à venda incluía ainda uma agência bancária na Madeira, que acabou por não ser vendida devido ao facto de os inquilinos terem invocado o direito de preferência sobre o edifício, apurou o ECO.

Edifício Visconde de Alvalade, comprado pela Square AM por 19,3 milhões de euros.CBRE

O pagamento destes 47,2 milhões será feito durante três anos, sem juros, tendo a Square pago até ao momento apenas um terço do valor total, mas já está desde a conclusão do negócio a receber a totalidade das rendas, sabe o ECO. A operação foi fechada com uma yield de 7,5%, um valor considerado acima da média, mas em linha com as demais operações que a Square tem feito.

Esta foi mais uma das muitas operações que a Square tem levado a cabo em Portugal. Em setembro do ano passado, a gestora comprou o Montijo Retail Park ao Commerzbank por 16,3 milhões de euros e, em agosto, tinha comprado um “pacote” de quatro centros comerciais — Continente Telheiras, Continente Loures, Minho Center (Braga) e Gaia Jardim — aos franceses da Klépierre por 111 milhões de euros.

Do Sporting para o Grupo SIL… até à Explorer Investments

Com esta operação, os participantes do fundo imobiliário CA Património Crescente podem dizer que são “donos” de antigo património do clube dos leões. Isto porque, até chegarem às mãos da Explorer, estes imóveis passaram por outros donos.

A história remonta a 2006, ano em que o Sporting decidiu vender o património não desportivo. Na altura, Filipe Soares Franco era presidente dos leões e vendeu quatro edifícios à Silcoge, do Grupo SIL. Na lista incluía-se o Visconde de Alvalade, que acabou vendido por 15 milhões, o edifício da clínica CUF (3,5 milhões), o health club (13,2 milhões) e o Centro Comercial Alvaláxia (cerca de 19 milhões), adiantou no ano passado Pedro Silveira, CEO do Grupo SIL, ao ECO.

Mais de uma década depois, no verão de 2017, a Silcoge vendeu à Explorer um “pacote” de 14 imóveis, que incluíam estes quatro ativos que tinham sido do Sporting. “Cerca de seis são muito bons e, pelo que percebi, eles [Explorer] querem guardar. Há dois ou três em que querem fazer umas obras para vender daqui a quatro ou cinco anos e depois há cinco que eles não gostam, mas que tiveram de comprar no pacote inteiro. São menos atrativos”, explicou o CEO do Grupo SIL.

Mas, apesar de na altura a Explorer ter desembolsado cerca de 150 milhões de euros por este “pacote”, o negócio não foi muito rentável para a Silcoge. “Perdemos dinheiro, vendemos por bastante menos. Porque comprámos caro demais na altura — pelo menos o Alvaláxia. O Visconde de Alvalade penso que ganhámos dinheiro e a CUF foi ela por ela”, notou Pedro Silveira.

E, assim, cerca de dois anos depois de terem comprado estes imóveis, a Explorer pôs cinco destes imóveis à venda, já com o objetivo de tentar encaixar cerca de 50 milhões de euros, como noticiou o ECO. O negócio acabou por superar as expectativas, dado que vendeu apenas quatro por esse valor.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Fundo da Square paga 47 milhões por antigos imóveis do Sporting

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião