Chineses reduzem novamente na EDP. China Three Gorges vende 1,8% da elétrica

Quase um ano após fim da OPA em que tentou comprar a totalidade da elétrica, o maior acionista reduziu esta quarta-feira a posição numa operação avaliada, a preços de mercado, em 300 milhões de euros.

A China Three Gorges vendeu esta quarta-feira parte do capital da EDP – Energias de Portugal. Quase um ano após o fim da Oferta Pública de Aquisição (OPA), na qual tentou ficar com a totalidade da elétrica, o maior acionista reduziu a participação. Esta foi a segunda redução de acionistas cujas participações são imputáveis à República da China, depois de em novembro a CNIC ter vendido um outro bloco de 49 milhões de ações, equivalente a 1,33% do capital.

A China Three Gorges comunicou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a intenção de alienar até 65.820.000 ações representativas de até 1,8000635% do capital social da EDP. O ECO apurou que esta oferta particular das ações, levada a cabo através de um processo de accelerated bookbuild dirigido exclusivamente a investidores institucionais qualificados, ficou fechada ainda esta quarta-feira. Os termos finais da colocação serão conhecidos apenas na quinta-feira.

Mas as ações da EDP fecharam a valer 4,566 euros, o que significa que, a preços de mercado, a participação está avaliada em 300,5 milhões de euros. No entanto, a Reuters avança que a venda foi feita a 4,438 euros por ação. O valor representaria um desconto de 2,8% face ao preço de fecho e iria resultar num encaixe financeiro de 292,11 milhões de euros para a CTG.

O BNP Paribas e a Merrill Lynch Internacional estão a atuar como joint bookrunners da colocação.

O acionista detinha 850.777.024 ações representativas de 23,27% do capital da elétrica. Como tanto os títulos detidos pela CTG como os detidos pela CNIC são todos imputáveis à República Popular da China, o total ascendia a 28,25% dos direitos de voto. Ou seja, com esta operação, o total passa para 26,5%. “Após a colocação, a CTG manterá 784.957.024 ações da EDP, sujeitas a um lock-up de 120 dias“, explica o comunicado.

Após esses quatro meses, o acionista poderá voltar a reduzir a participação até porque a blindagem dos estatutos (que foi votada na última assembleia geral de acionista e que foi o ponto que determinou a morte da OPA) determina que uma limitação de 25% dos direitos de voto dos acionistas, independentemente da participação.

À parte do insucesso da OPA, a China tem sido pressionada devido à participação na EDP. O secretário da Energia dos Estados Unidos, Dan Brouillette, afirmou há duas semanas que a Administração do presidente norte-americano Donald Trump está a olhar com bastante preocupação para a presença do acionista chinês na estrutura de capital da EDP, tendo em conta o crescimento da elétrica portuguesa no mercado norte-americano, sobretudo ao nível das energias renováveis.

(Notícia atualizada às 18h45)

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