Covid-19: Organização da ModaLisboa admite que evento decorra “à porta fechada”

  • Lusa
  • 2 Março 2020

“Esta decisão será tomada em última instância e em caso de necessidade ou indicação das autoridades locais e nacionais de saúde”, sublinha a organização.

A organização da ModaLisboa, cuja 54.ª edição decorre entre quinta-feira e domingo, admitiu a possibilidade de a iniciativa decorrer “à porta fechada”, no caso de agravamento da propagação do surto de Covid-19 em Portugal. Num comunicado divulgado esta segunda-feira, no qual apresenta o “plano de contingência perante o Covid-19″, a organização da ModaLisboa refere que “o evento poderá ser realizado à porta fechada no caso de a situação se agravar, com emissão em livestream [direto online] dos desfiles”.

“Esta decisão será tomada em última instância e em caso de necessidade ou indicação das autoridades locais e nacionais de saúde”, sublinha a organização. O comunicado da organização da ModaLisboa foi enviado ao final da tarde de segunda-feira, após a confirmação dos dois primeiros casos em Portugal de infeção pela epidemia de Covid-19 provocada por um novo coronavírus.

A 54.ª edição da ModaLisboa decorre nos Paços do Concelho e na zona do Campo de Santa Clara, no Mercado de Santa Clara e nas antigas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento, e “será implementado um conjunto de medidas pré e durante o evento enquanto ‘Plano de Contingência perante o Covid-19’, por forma a assegurar as melhores condições de segurança e saúde, tanto para trabalhadores como para visitantes”.

A lista de medidas inclui “a monitorização dos diferentes públicos-alvo, nomeadamente convidados e equipas internacionais, que tenham como país de origem áreas com transmissão comunitária ativa nos últimos 14 dias” e a “implementação de medidas de rastreio junto dos colaboradores e todos os parceiros em atividade no evento”.

Contempla, também, o “reforço de medidas de desinfeção em todos os locais do recinto e disponibilização de dispensadores de gel desinfetante”, e o “reforço de sinalética e divulgação de informação sobre cuidados e medidas a tomar em caso de sintomas”.

Além disso, será instalado um “ponto de informação e posto médico no recinto, com presença de enfermeiros e socorristas para rastreio e avaliação de sintomas, com o apoio do Exército Português”, e está prevista a “preparação de sala de isolamento, devidamente equipada, em caso de necessidade”.

Na semana passada, o desfile da coleção da portuguesa Alexandra Moura na Semana de Moda de Milão, em Itália, realizou-se à porta fechada, sem a presença de compradores e imprensa. A decisão integrou-se no âmbito das medidas para contenção do surto de Covid-19, tomadas pelo Governo Italiano, que levaram também Giorgio Armani e Laura Biagiotti a restringir o acesso aos desfiles, optando pela apresentação de portas fechadas, com transmissão pelas redes sociais.

O surto de Covid-19, detetado em dezembro, na China, e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou mais de 3.000 mortos e infetou quase 90 mil pessoas em 67 países, incluindo duas em Portugal. Das pessoas infetadas, cerca de 45 mil recuperaram.

Além de 2.912 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América e Filipinas. Um português tripulante de um navio de cruzeiros está hospitalizado no Japão com confirmação de infeção. A Organização Mundial de Saúde declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para “muito elevado”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Covid-19: Organização da ModaLisboa admite que evento decorra “à porta fechada”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião