Fed queria acalmar, mas lança pânico. Wall Street afunda 3%

Corte de juros surpresa do banco central dos EUA tinha como objetivo impulsionar o sentimento entre investidores, empresas e famílias. Mas acabou por ter o efeito contrário.

A Reserva Federal norte-americana surpreendeu esta terça-feira ao anunciar um corte surpresa nas taxas de juro. A redução pretendia travar o potencial impacto do surto de coronavírus na economia e animar o sentimento dos investidores, após a semana passada ter sido a pior desde a crise de 2008. A reação inicial foi essa, mas à medida que as bolsas digeriram a decisão, acabaram por vê-la com pânico.

O banco central liderado por Jerome Powell cortou as taxas em 50 pontos base para um intervalo entre 1% a 1,25%. “Os fundamentos da economia dos EUA continuam robustos. No entanto, o coronavírus representam um risco em evolução para a atividade económica. À luz destes riscos e do objetivo de apoiar os objetivos de pleno emprego e estabilidade de preços, o Federal Open Market Committee decidiu baixar o intervalo da taxa diretora”, justificou.

Powell explicou, depois, que a ameaça do coronavírus não irá desaparecer proximamente. O corte diminui o preço do dinheiro e impulsiona os ativos de risco, o que aconteceu na reação inicial. As principais praças norte-americanas, que abriram a sessão em queda, inverteram nessa altura e chegaram a ganhar 1,5%. Mas a decisão acabou por ser vista como um sinal de que o impacto do surto na economia norte-americana poderá ser maior que o esperado.

O índice industrial Dow Jones afundou 3,06% para 25.885,84 pontos, enquanto o financeiro S&P 500 tombou 2,89% para 3.001,01 pontos e o tecnológico Nasdaq caiu 2,99% para 8.684,50 pontos. Os investidores procuraram refúgio na dívida e levaram a yield das Treasuries a dez anos abaixo de 1% pela primeira vez de sempre. Já o dólar, que fica menos atrativo com a quebra nos juros, recuou 0,4%.

Esta foi a primeira vez desde outubro de 2008 que a Fed anuncia um corte de juros sem ser esperado. Nessa altura, o banco central reagia à contração económica e à profunda crise financeira, que levou à queda do Lehman Brothers.

Desta vez, a decisão da Fed foi a primeira reação que resultou da reunião do G7, em que líderes das maiores economias debateram o impacto do vírus, que está matou mais de três mil pessoas. Os banqueiros centrais e os ministros das Finanças do G7 garantiram que estão a seguir “cuidadosamente” a epidemia e suas consequências nos mercados e condições económicas. Além dos estímulos monetários dos bancos centrais, os governos poderão também adotar políticas orçamentais.

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