Bolsa recupera 2,2 mil milhões. BCP dispara 12% e petróleo ganha 7%

Depois da segunda-feira negra, bolsas ganham novo fôlego, com petróleo a recuperar terreno. Por cá, o PSI-20 soma 5%, com BCP a liderar os ganhos.

Depois da segunda-feira negra, as bolsas europeias recuperam terreno, à medida que a cotação do barril de petróleo também procura estabilizar. A matéria-prima avança 7% depois de uma queda de 20%. Por cá, a praça nacional revê 2,2 mil milhões dos 5 mil milhões perdidos na sessão de ontem. Dois destaques: o BCP dispara 12% e a Galp avança quase 7%.

O PSI-20, o principal índice português, avança 5,01% para 4.480,19 pontos, com todas as ações em alta. Recupera de parte do tombo de 9% registado esta segunda, no que se traduziu num encolher de 5,2 mil milhões de euros do market cap das 18 cotadas que compõem o índice. Até ao momento, a bolsa já recuperou quase metade desse valor.

O BCP é quem mais aproveita a onda de retoma entre as grandes cotadas. As ações do banco liderado por Miguel Maya soma 11,95% para 0,1341 euros, tendo chegado a ganhar um máximo de quase 15% após o chairman, Nuno Amado, ter comprado meio milhão de títulos do banco.

A Galp Energia, por seu lado, avança 6,74% para 10,23%, após a queda de 17% na sessão anterior. Ainda na energia, a EDP e a EDP Renováveis valorizam 2,96% e 2,45%, respetivamente. A Mota-Engil, que apresentou uma subida do lucro para 29 milhões, tem os títulos a subirem 14,41% para 1,107 euros.

Lá por fora, o Stoxx 600, que integra as 600 maiores empresas do Velho Continente, também segue em alta 3,63% para 351,81 pontos. Os principais índices europeus recuperam entre 3% e 4%, incluindo o DAX-30, o FTSE Mib, o CAC-40 e o IBEX-35.

No mercado petrolífero, a guerra de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia tem hoje a primeira trégua ao nível do que é o comportamento das cotações da matéria-prima. O contrato de Brent, que serve de referência para as importações nacionais, sobe 7,45% para 33,45 dólares, ao mesmo tempo que o crude avança 6,34% para 36,54 dólares em Nova Iorque.

Tudo isto se desenvolve num contexto em que reina ainda a incerteza em relação à propagação do coronavírus em todo o mundo, com os investidores a tentarem estimar o impacto da doença na economia e nas empresas, à espera de uma reação das autoridades para evitar os piores cenários.

O foco recai agora no Banco Central Europeu, que se reúne na quinta-feira. Entre os principais bancos centrais, o BCE é aquele com menor espaço de manobra”, dizem os analistas do BPI. “Em primeiro lugar, as taxas de juro na Europa já estão em níveis negativos, pelo que uma ulterior descida tem pouco impacto, mesmo a nível psicológico. Em segundo, o mandato do BCE é manter sob controlo a inflação e não tanto promover o crescimento económico. Em terceiro lugar, entre os governadores dos vários países não existe um consenso em relação à forma de atuação”, acrescentam.

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