Coronavírus já provocou quebra superior a 30% nas receitas da hotelaria

Não é novidade que o surto de coronavírus está a ter impacto no setor hoteleiro, mas a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) vem agora falar em perdas de 30% nas receitas.

O coronavírus está a ter impacto no setor do turismo, com os hotéis e os proprietários de alojamento local a sofrerem sucessivas quebras e cancelamentos nas reservas. As consequências reais já começam a ser conhecidas, com a hotelaria a registar perdas de receitas superiores a 30% devido a este surto, assim como quedas acentuadas do ritmo de reservas futuras.

A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) já tinha adiantado que estava a sofrer com vários cancelamentos de reservas, principalmente depois do aumento do número de casos na Europa. “Naturalmente, neste momento, há um abrandamento severo das viagens e um cancelamento das reservas em fevereiro e março”, disse, na semana passada, Cristina Siza Vieira, em declarações ao ECO, notando que a principal preocupação do setor é a Páscoa.

Contudo, nessa altura ainda não era possível apurar o impacto real do surto de coronavírus e, por isso, a AHP realizou um inquérito flash para traçar um cenário. Os resultados serão conhecidos na quinta-feira, mas as conclusões preliminares mostram que “as taxas de cancelamento estão muito acima das verificadas em anos anteriores”.

Em comunicado, a associação refere ainda que os efeitos estão a ser sentidos “não só nos cancelamentos imediatos, mas também nas reservas futuras”, com as cadeias hoteleiras a “indicar que estão já a registar importantes cancelamentos de reservas futuras”. Em números, o surto já provocou perdas de receitas superiores a 30%, conclui o inquérito.

Esta quinta-feira, a AHP vai apresentar as conclusões do inquérito, que vão deixar perceber também qual o impacto deste surto na taxa de ocupação, quais as regiões mais afetadas e em que medidas estarão comprometidos os resultados do ano turístico.

Ao ECO, a Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP) também já admitiu impactos nas unidades de alojamento local de todo o país, com quase todos os proprietários a reportarem cancelamentos de reservas. O presidente da associação, Eduardo Miranda, notou, contudo, que a “situação é mais preocupante” nos hostels e guests houses, principalmente porque esses alojamentos trabalham com grupos organizados de viagens.

Hotelaria dos Açores estima quebras “superiores” a 50% na Páscoa

O delegado nos Açores da AHP estimou quebras “superiores a 50%” na Páscoa devido ao surto de coronavírus, defendendo a adoção de medidas, tal como o líder dos empresários. Em declarações à Lusa, Fernando Neves disse não prever que o verão “seja melhor”, considerando que se está a sentir “os efeitos negativos” do surto, algo que, com base no feedback dos empresários do setor, “está a agravar-se”.

Para o responsável, este cenário surge no âmbito de uma “tendência que é global”, face à “baixa significativa da mobilidade” das pessoas, como se pode verificar nas companhias de aviação. O mesmo considera que as consequências económicas vão ser “extremamente penalizadoras”, sendo que na região as taxas de ocupação hoteleira “já são muito baixas”, estimando-se “quebras superiores a 50%, na Páscoa, em termos comparativos com 2019″.

O presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Mário Fortuna, também em declarações à Lusa, afirma que “é consensual que o impacto desta crise vai ser significativo”, o que “vai exigir que sejam adotadas medidas”, como está a acontecer a nível nacional e na Europa. A adoção de uma linha de crédito, como aconteceu a nível nacional, “configura-se como pouco para a dimensão que se avizinha”, sendo necessário “seguramente mais apoios e intervenções” num problema que “não se sabe quando vai acabar ou dar a volta”.

(Notícia atualizada às 18h13 com impacto do surto nos Açores)

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Coronavírus já provocou quebra superior a 30% nas receitas da hotelaria

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião