“Quase todos” os proprietários de alojamento local registam cancelamentos devido ao coronavírus

O coronavírus está a afetar o setor do turismo. Hotéis, mas também o alojamento local sentem os cancelamentos. Embora a situação ainda não seja alarmante, os hostels são os mais afetados.

Não são só os hotéis que estão a ser afetados pelo coronavírus. O alojamento local também. A associação que representa este setor fala numa situação “obviamente preocupante”, mas ainda sem “vagas de cancelamento em massa”. Março e abril são os meses que mais preocupam os proprietários, isto porque “já quase todos” registam cancelamentos de reservas.

“Estamos a acompanhar a situação que, obviamente, é preocupante”, diz ao ECO Eduardo Miranda, presidente da Associação de Alojamento Local em Portugal (ALEP), referindo que, até ao final de fevereiro, “houve alguns cancelamentos, mas mais pontuais” e principalmente por parte de hóspedes chineses. “Não diria que no setor há uma vaga de cancelamentos em massa, mas sim um aumento de cancelamentos”, continua.

Eduardo Miranda afirma mesmo que “já muita gente, ou quase todos os proprietários, reportaram cancelamentos de reservas, especialmente no início de março e abril”. Estes cancelamentos começaram a ser registados “nos primeiros dias de março” e a solução “passa pela negociação com os hóspedes”. “Os cancelamentos podem tornar-se adiamentos” das estadias, explica.

Mas, continua o representante do setor, a “situação é mais preocupante” nos hostels e guests houses, principalmente porque esses alojamentos trabalham com grupos organizados de viagens. Pelo contrário, nos apartamentos e moradias, “há uma tranquilidade um pouco maior”, dado que “o uso da casa é exclusivo”. Ainda assim, afirma, “março vai ser muito afetado”.

A verdadeira preocupação da ALEP é “a falta de novas reservas”, dado que “houve uma redução significativa” das mesmas. Se a situação assim se mantiver, “é preocupante porque a maior parte do setor são pequenas unidades com uma estrutura financeira muito fragilizada”. Para isso, Eduardo Miranda diz ser “fundamental que o Governo prepare medidas de apoio, nomeadamente de tesouraria”.

Setor pede orientações específicas para o alojamento local

A ALEP está a preparar um “breve guia” onde vai adaptar algumas das medidas já oficiais anunciadas pela Direção-Geral de Saúde (DGS) ao dia-a-dia dos proprietários e hóspedes de alojamento local. “Não temos competência técnica para inventar medidas diferentes, mas sim adaptar as medidas já anunciadas pela DGS”, diz Eduardo Miranda, ao ECO. “Esse guia deve estar disponível nos próximos dias”.

E a associação decidiu preparar este guia porque estava à espera de medidas específicas para o setor. “Ainda não saíram orientações específicas para o turismo, como estávamos à espera. Mesmo assim optámos por criar algo mais adaptado para o alojamento local, porque mesmo dentro do turismo, as medidas são mais direcionadas para os hotéis”, diz o presidente, explicando que “em 90%, que são moradias e apartamentos, a lógica é diferente”.

Ao ECO, a CEO da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) já tinha afirmado que a DGS iria enviar orientações específicas ao setor turístico. Mas, até ao momento, ainda nada foi recebido. Já do lado do Governo, o Executivo anunciou esta segunda-feira que vai duplicar o valor da linha de crédito para apoio às empresas para 200 milhões de euros.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

“Quase todos” os proprietários de alojamento local registam cancelamentos devido ao coronavírus

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião