Covid-19: Risco de crédito exige “mecanismos públicos de garantia”, diz BdP

  • Lusa
  • 13 Março 2020

O Banco de Portugal subscreve as medidas do Banco Central Europeu para garantir liquidez ao setor financeiro face à situação de pandemia, mas deixa alguns alertas.

O Banco de Portugal (BdP) subscreve as medidas do Banco Central Europeu (BCE) para garantir liquidez ao setor financeiro face à situação de pandemia, mas alerta para que o “risco de crédito” existente exige “mecanismos públicos de garantia”.

“A prioridade do BCE, que o governador subscreve, é garantir a liquidez do setor financeiro e, desta forma, criar condições para a continuidade do financiamento da economia real e das famílias. Trata-se de uma condição necessária, mas não suficiente”, sustenta Carlos Costa, numa nota enviada à Lusa. Na opinião do governador do BdP, está-se atualmente “perante um risco de crédito, e não apenas de liquidez”, sendo “a garantia de liquidez condição necessária, mas não suficiente, para assegurar a continuidade do financiamento”.

Neste sentido, sustenta, “são necessários mecanismos públicos de garantia de crédito, nomeadamente através das instituições financeiras de caráter promocional”, o que “significa que os governos nacionais e as instituições europeias têm um papel fundamental e decisivo a desempenhar”.

Considerando que “a política monetária tem que ser fortemente orientada para o apoio à economia europeia afetada pela pandemia”, Carlos Costa diz apoiar “as medidas destinadas a assegurar a continuidade do financiamento das empresas que estejam confrontadas com dificuldades de tesouraria e da economia em geral”.

Neste contexto, diz, que “o Conselho de Governadores do BCE adotou um pacote de instrumentos suficientemente flexível para responder aos riscos que se estão a colocar às economias da área do euro e usará a margem de manobra existente nas regras de compra de ativos”.

Com vista a assegurar a estabilidade financeira na zona euro perante as “circunstâncias desafiadoras” do surto de Covid-19, o BCE anunciou na quinta-feira que vai lançar novos empréstimos alargados aos bancos com taxas vantajosas, na condição de ser concedido crédito às famílias e às empresas. Para evitar incumprimentos associados à pandemia, o BCE informou que vai dar “condições mais favoráveis” aos bancos na próxima linha de empréstimos, que vai decorrer a partir de junho de 2020, quando chegar ao fim a atual série de operações do mesmo género, e até junho de 2021.

A medida destina-se a “apoiar os empréstimos concedidos àqueles que são mais afetados pelo coronavírus, particularmente as pequenas e médias empresas”, explicou a instituição. O BCE decidiu, ainda, aumentar as compras de dívida pública e privada, com foco nas empresas.

Também na quinta-feira, a presidente do BCE, Christine Lagarde, considerou que a pandemia representa um “choque importante” para a economia da zona euro e exige uma “resposta orçamental ambiciosa e coordenada” dos governos. Para a responsável, existe “um considerável agravamento das perspetivas de crescimento a curto prazo” na zona euro, pelo que remeteu respostas para os países, após uma série de medidas de apoio monetário anunciadas pelo banco central.

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