Escolas, museus, bibliotecas e até fronteiras fechadas. O que os outros países estão a fazer para travar o vírus

Não há mãos a medir para travar a propagação do coronavírus. Países estão a encerrar tudo: escolas, acesso à via pública e fronteiras. Milhões de pessoas estão em quarentena em toda a Europa.

Escolas, museus, bibliotecas… fechados em toda a Europa. Interdições no acesso à via pública. Controlo apertado nas fronteiras, com alguns países a permitir apenas a passagem de mercadorias. Eventos desportivos e lazer cancelados ou adiados. Unidades “drive-thru” instaladas em barracas para testar casos suspeitos de Covid-19. O que os outros países estão a fazer para travar o surto do vírus?

Espanha decreta quarentena em todo o país

É no país vizinho que se regista a segunda situação mais grave de saúde pública por causa do surto do novo vírus na Europa, depois de Itália. Espanha regista já 288 mortos devido ao Covid-19, enquanto o número de casos confirmados subiu rapidamente nos últimos dias para mais de 7.700 casos.

Face ao agravamento da propagação do vírus, o Governo espanhol decretou este sábado “estado de alarme” e a situação de quarentena obrigatória em todo o território que obrigará a população de mais de 46 milhões de pessoas a ficar em casa durante, pelo menos, 15 dias.

Os espanhóis apenas podem sair à rua apenas em situações de urgência ou força maior, para se deslocarem para o trabalho, irem à farmácia, supermercado ou ao banco ou para prestação de assistência a idosos, tendo de regressar diretamente a casa. Saídas à rua para atividades de lazer estão proibidas. O Exército do país está já a patrulhar algumas das principais ruas das maiores cidades, avança o El País.

As escolas deverão manter a atividade educativa em modo online. Museus, instalações desportivas, hotelaria e restauração — à exceção de entregas de comida ao domicílio — devem ser encerrados a partir de segunda-feira. Todas as atividades comerciais à exceção de medicamentos, alimentos, tecnologia, imprensa, animais de companhia e cabeleireiros, entre outros, deverão ser encerradas. A desobediência nestas medidas poderá garantir multas a partir de 100 euros ou até um ano de pena de prisão.

Sinal rodoviário em Sevilha deixa a recomendação: “O melhor é ficar em casa”.Jose Manuel Vidal/EPA

Itália fecha as portas

Com 1.441 mortos e mais de 21 mil casos de infeção pelo novo coronavírus, Itália regista a situação mais alarmante do surto do Covid-19 depois da China. Foi por isso que, nos últimos dias, as medidas de contingência mais restritivas foram alargadas das regiões mais problemáticas a norte do país para todo o território.

Há restrições na movimentação das pessoas nas ruas. Quem quiser ir de uma cidade para outra terá de preencher e apresentar um documento explicando as razões pelas quais tem de viajar. São permitidas apenas deslocações para trabalho, por questões de saúde ou regresso a casa. Quem mentir nestes procedimentos está a cometer um crime.

Todos os restaurantes e lojas estão encerrados, com a exceção dos supermercados e mercearias e farmácias. Universidades e escolas estarão fechadas até 3 de abril, assim como cinemas, teatros e ginásios. Estão proibidos grandes concentrações de pessoas, eventos desportivos como a Serie A estão suspensos.

Vários países em todo o mundo suspenderam as ligações aéreas para o país. Países vizinhos como a Áustria encerraram temporariamente as fronteiras terrestres com Itália.

Praça de S. Pedro, no Vaticano, também foi encerrada. Cerimónia de domingo de Páscoa vai decorrer mas sem assistência.Angelo Carconi/EPA

França fecha estabelecimentos não essenciais

França passou à Fase 3 (de 3) de combate ao surto de Covid-19, o que significa que o vírus está agora a circular em todo o território. De acordo com o último balanço, contabilizavam-se já 91 mortos e 4.499 casos confirmados de infeção.

Para travar a propagação do novo coronavírus, o Governo ordenou o encerramento de todos os estabelecimentos abertos ao público “não essenciais” a partir da meia-noite deste sábado.

Só poderão abrir no país lojas de alimentos, farmácias, postos de combustíveis, bancos, tabacarias e quiosques, disse o primeiro-ministro numa conferência de imprensa, onde anunciou o encerramento de bares, restaurantes, discotecas, cinemas e outras lojas não essenciais. O transporte público continuará disponível, mas o governante apelou aos cidadãos para limitarem as viagens, especialmente as viagens intermunicipais. Universidades, escolas e jardins-de-infância estão encerrados.

Grandes eventos foram cancelados, como a maratona de Paris, os jogos de râguebi do torneio das Seis Nações, assim como concertos e feiras. Também os campeonatos de futebol estão suspensos.

Alemanha prepara fecho de fronteiras

A Alemanha também está a apertar as medidas para travar a propagação do vírus. A agência de notícias AFP avança que as autoridades alemãs se preparam para fechar as fronteiras com a França, Suíça, Áustria, Dinamarca e Luxemburgo. Contudo, vai manter as portas abertas para a movimentação livre de mercadorias e permitirá a entrada de viajantes para trabalho.

Esta decisão surge, não só para conter o coronavírus mas também para responder a situações de corrida aos supermercados e hipermercados nas regiões perto da fronteira com estes países.

Também se implementaram várias restrições a nível de ligações aéreas, sobretudo para os países mais problemáticos como a China, Itália, Coreia do Sul e Irão.

Há escolas encerradas no estado de North Rhine-Westphalia, uma das regiões mais afetadas. Outras regiões como a Baviera, Bremen Schleswig-Holstein, Hesse e Berlin cancelaram eventos com mais de 1.000 pessoas, seguindo a recomendação do governo federal. As autoridades de saúde também estão no terreno: se detetarem alguma suspeita de infeção, decidirão se aplicam medida de quarentena ou não.

A Alemanha regista 5.426 casos confirmados de infeção por coronavírus, contabilizando já 11 vítimas mortais.

Dinamarca também fecha fronteiras

A Dinamarca também vive momentos de aflição por causa do coronavírus. Já há uma vítima mortal (um idoso de 81 anos) a registar, com o novo vírus a propagar-se rapidamente num país com apenas 5,5 milhões de habitantes.

As fronteiras foram fechadas a estrangeiros que não tenham uma justificação plausível para entrada no país. Esta medida estará em vigor até 13 de abril e não afetará o tráfego de mercadorias.

Todas as creches, escolas e universidades vão estar encerradas durante duas semanas, pelo menos. Instituições públicas como bibliotecas e museus também fecharam. A utilização dos transportes públicos foi restringida. Assim como foi limitado o acesso a hospitais para visitas.

Por outro lado, o governo de Mette Frederiksen aprovou uma legislação, com caráter temporário, que permite o isolamento e o internamento hospitalar forçado de infetados.

Há unidades “drive-thru” para testar casos suspeitos de Covid-19. Na foto em baixo vemos uma barraca serve de unidade de teste drive-thru para o Covid-19. Esta unidade situa-se no Hospital Universitário Aarhus, em Aarhus. As pessoas chegam nos seus carros e são recebidos por um profissional do hospital que realiza o teste sem que a pessoa saia do carro.

Uma barraca serve de unidade de teste drive-thru para o Covid-19. Esta unidade situa-se no Hospital Universitário Aarhus, em Aarhus.Ernst van Norde/EPA

Bélgica declara estado de emergência

Na Bélgica, foi declarado esta semana estado de emergência: todos os eventos desportivos e recreativos foram cancelados ou terão de ser adiados, enquanto locais públicos como restaurantes, bares, cafés e discotecas estão fechados desde a meia-noite deste sábado até 3 de abril.

As escolas também vão fechar a partir de segunda-feira. Já os jardins-de-infância permanecerão abertos, pelo menos para já.

Os estabelecimentos que vendem produtos básicos, como farmácias e alimentos, permanecerão de portas abertas. E outras lojas podem permanecer abertas durante a semana, mas devem ser fechadas nos fins de semana.

(Notícia atualizada às 10h03 de 16 de março de 2020 com mais informação)

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