CovidApp já tem 8.000 utilizadores. Regista sintomas do vírus e dá alertas

Plataforma serve para os utilizadores registarem eventuais sintomas. Alerta será dado, tanto aos users como às autoridades de saúde, através de análise dos dados com inteligência artificial.

Na sexta-feira, em conversa com o amigo e médico João Coimbra, o engenheiro Nelson Novais partilhava medos e desafios em tempos de coronavírus. “Há alguma coisa em termos de software que possamos fazer para ajudar?”, perguntou então o cofundador da startup Mosano, com sede em Matosinhos.

Aquilo que se seguiu nasceu da sugestão do médico e da resiliência da equipa da empresa. Entre sexta e segunda e, aproveitando uma ferramenta que já usavam, os 16 membros da equipa da Mosano trabalharam — quase sem dormir — para criar a CovidApp, uma plataforma que serve para monitorizar os utilizadores desde casa — evitando as idas desnecessárias ao hospital — e que notifica, tanto os utilizadores como as autoridades de saúde em caso de os sintomas indicarem a presença da doença. Tudo graças aos relatórios de cada utilizador (são recomendados três por dia) e à tecnologia de inteligência artificial que os analisa de acordo com um algoritmo já existente na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP). “Os utilizadores que tiverem sintomas são reencaminhados para o hospital”, explica Nelson Novais, em conversa com o ECO.

A plataforma — cuja app ainda está em desenvolvimento — faz assim o registo diário dos sintomas, envia notificações para relembrar para a necessidade de registo, com recurso à inteligência artificial os casos são categorizados e, essa informação será, quando a app tiver o aval da DGS ou do SNS, enviada para essas entidades de saúde pública que tomarão as medidas necessárias para encaminhar os casos.

“Neste momento, é só disso que se trata: temos um problema com os dados e com o RGPD”, alerta Nelson. “Queremos esperar pelo apoio e cunho do Serviço Nacional de Saúde para termos a quem enviar estes dados. Porque, sem um destinatário, mesmo que tenhamos milhares de dados, não servem de nada“, explica.

Neste momento e, com menos de 24 horas de funcionamento, a plataforma conta já com mais de 8.000 utilizadores e com cerca de uma dezena de médicos, que validaram todo o conteúdo. “Tivemos cerca de 20 mil acessos e chegámos hoje aos 8.000 utilizadores, tendo 30 a 40% dos quais registado os seus sintomas”, acrescenta Nelson.

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António Costa

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