Covid-19 pode fechar a bolsa de Lisboa? Decisão é do supervisor

Euronext garante que irá manter os mercados a funcionar e que tem capacidade para o fazer remotamente. Mas poderá ser o supervisor a decidir fechar as bolsas para travar o impacto do coronavírus.

A pandemia de coronavírus está a atirar as bolsas mundiais para níveis que não se viam desde a segunda-feira negra de 1987. As Filipinas suspenderam os mercados acionistas, cambiais e obrigacionais sem data de retorno. Na Europa, o selloff já levou os supervisores a limitarem o shortselling, mas para já está excluída a suspensão da negociação de bolsas como a portuguesa.

Não está em consideração a suspensão das negociações nos mercados da Euronext“, diz fonte oficial da empresa que gere a bolsa em Portugal, mas também na Bélgica, França, Irlanda, Holanda e Reino Unido, em declarações ao ECO. “Essa decisão deverá ser tomada pelos reguladores e exigiria coordenação entre as diferentes bolsas dentro e fora da Europa. A Euronext tem capacidade para operar em condições extremas e de elevada volatilidade”.

Apesar de não ser necessário há quem considere que seria a melhor solução. É o caso da Maxyield – Clube dos Pequenos Acionistas, que enviou esta quarta-feira um pedido, à Euronext Lisbon e à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), de suspensão da negociação de valores mobiliários em mercado regulamentado por “estarem reunidas circunstâncias suscetíveis de, com razoável grau de probabilidade, perturbar o desenvolvimento da negociação bolsista”.

“A suspensão recomendada, sem prejuízo da devida articulação com autoridades competentes e entidades gestoras a nível europeu, deverá ser feita pelo prazo mais curto possível e necessário às condições mínimas de racionalidade da negociação bolsista”, defendeu a associação, em comunicado.

Os reguladores ainda não deram qualquer sinal nesse sentido, mas estão a agir. A Autoridade Europeia de Mercados de Valores Mobiliários (ESMA, na sigla em inglês) reforçou o controlo do shortselling devido ao momento de incerteza que se vive nos mercados. Segundo o comunicado emitido esta segunda-feira sobre a decisão que foi tomada em conjunto com as autoridades nacionais, passará a ser obrigatório reporte às autoridades nacionais de posições líquidas curtas a partir de limiar de 0,1%.

A medida estará em vigor durante três meses. Como em qualquer situação de crise, há investidores a apostarem na queda das ações e estão a aproveitar o momento para reforçarem o shortselling. A ESMA considera que as condições adversas constituem “uma ameaça séria ao funcionamento ordenado e para a integridade” dos mercados financeiros. Por isso, a ESMA poderá aprofundar a medida e não está excluída a hipótese de limitar de todo o shortselling, tal como já fizeram Espanha ou Itália.

A CMVM irá receber essas informações (que não tem necessariamente de comunicar ao mercado) e está a articular com as autoridades europeias. O supervisor liderado por Gabriela Figueiredo Dias garantiu, ao ECO, que “tem acompanhado, de forma próxima e atenta, a evolução e repercussões a nível nacional decorrentes da propagação de Covid-19”.

Planos de contingência contra o vírus

O supervisor do mercado de capitais português acrescentou que está igualmente a tomar medidas internas. “A segurança dos colaboradores e dos vários atores do mercado com quem a CMVM se relaciona é um princípio fundamental. Assim, além de ter adotado e implementado o Plano de Contingência – seguindo as orientações da Direção Geral de Saúde –, a CMVM está a avaliar diariamente a necessidade de adoção de medidas adicionais, em função da evolução dos acontecimentos e dos alertas e orientações das autoridades nacionais”.

O mesmo acontece na bolsa de Lisboa. “Como a maioria das grandes empresas, as recomendações da Organização Mundial de Saúde e do Governo português sobre medidas de prevenção e de viagens foram comunicadas aos funcionários da Euronext. A Euronext tem planos de Gestão de Continuidade de Negócios para todas as suas localizações e em toda a empresa, que são testados regularmente, e temos a capacidade de operar os nossos mercados totalmente de forma remota”, acrescentou fonte oficial da Euronext.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Covid-19 pode fechar a bolsa de Lisboa? Decisão é do supervisor

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião