TAP não renova contrato a prazo com 100 trabalhadores

  • Lusa
  • 19 Março 2020

TAP confirma que não vai renovar contratos de trabalho de colaboradores que estão a prazo. Medida visa combater os efeitos da pandemia de Covid-19.

A TAP decidiu não renovar o contrato a prazo com 100 trabalhadores, que já foram notificados, uma medida do plano de contingência implementado pela companhia no âmbito do surto de Covid-19, confirmou esta quinta-feira à Lusa fonte da transportadora aérea.

“Confirmamos que não estamos a renovar contratos de trabalho de colaboradores que estão a prazo”, disse à Lusa fonte da TAP.

A medida abrange 100 trabalhadores, que já foram todos notificados, e surge no plano de contingência que a TAP implementou para combater os efeitos da pandemia de Covid-19 na companhia aérea, anunciado em 05 de março.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 220 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.900 morreram.

Das pessoas infetadas, mais de 85.500 recuperaram da doença.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se já por 176 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, com a Itália, com 2.978 mortes em 35.713 casos, a Espanha, com 767 mortes (17.147 casos) e a França com 264 mortes (9.134 casos).

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou esta quinta-feira o número de casos confirmados de infeção para 785, mais 143 do que na quarta-feira. O número de mortos no país subiu para três.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de hoje.

Cerca de 20 pessoas afastadas da TAP tinham “poucos dias de casa”

Cerca de 20 trabalhadores que foram afastados da TAP ao abrigo do período experimental tinham “muito pouco dias de casa”, disse à Lusa o presidente do Sindicato Nacional de Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPAC), Henrique Louro Martins.

“Essa informação foi-nos dada há pouco tempo e os colegas que estão ao abrigo do período experimental viram essa situação efetivamente feita”, disse à Lusa Henrique Louro Martins, confirmando mais tarde que estão em causa cerca de 20 pessoas.

O afastamento insere-se no plano de contingência implementado pela companhia para fazer face à crise económica causada pela pandemia do novo coronavírus.

Fonte oficial da TAP confirmou à Lusa o afastamento de trabalhadores ao abrigo do período experimental, mas sem adiantar números.

O presidente do SNPVAC reconhece que “a lei neste caso pode proteger a empresa”, mas “o sindicato tem de proteger os trabalhadores”, referindo que os funcionários “terão todo o apoio jurídico do sindicato para aquilo que acharem necessário” e que “estará sempre ao lado deles”.

“Queremos que os próximos trabalhadores a entrar sejam aqueles que agora não lhes foi renovado o contrato, que têm muito poucos dias de casa”, disse à Lusa o sindicalista, esperando que estejam “exatamente nas mesmas condições, por uma razão de antiguidade, para ingressarem novamente na TAP assim que for possível”.

O presidente do SNPVAC manifestou a mesma posição para aos restantes trabalhadores, esperando que seja possível assegurar que todos “os funcionários que agora não viram os seus contratos renovados voltem novamente para a TAP”.

Henrique Louro Martins referiu que “hoje foi um dia negro para muita gente” e que “houve pessoas que deixaram outras profissões para vir para a TAP”, dando como exemplo um caso “em que a pessoa deixou um futuro que tinha mais ou menos estruturado e de repente foi tudo por água abaixo”.

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