TAP cancela voos para 75 destinos. Operação fica reduzida a 15

Por causa das restrições que os países estão a impor para travar a expansão do coronavírus, a TAP foi obrigada a restringir as suas operações a 15 destinos dos 90 em que opera.

A TAP foi obrigada a restringir as suas operações a 15 destinos apenas, deixando de operar nos restantes 75 em que operava até agora. Na origem da decisão estão as restrições que os países estão a impor para travar a expansão do coronavírus, informou a transportadora ao mercado. A decisão, que tem início a 23 de março, pode ser revista a qualquer momento.

A transportadora “informa o mercado e o público em geral de que irá reduzir temporariamente a sua operação com efeitos a partir de 23 de março de 2020 e até 19 de abril de 2020. Durante este período a TAP prevê continuar a operar 15 dos cerca de 90 destinos que operava, sendo que esta decisão pode ser revista a qualquer momento sempre que as circunstâncias assim o exijam”, pode ler-se na nota publicada na CMVM.

A TAP, que tem vindo a reduzir gradualmente os voos, viu-se obrigada a tomar uma decisão mais radical tendo em conta “as restrições impostas pelos vários Estados das geografias em que a TAP opera”. “Tais restrições, combinadas com a acentuada queda da procura, têm vindo a gerar sucessivos cancelamentos de voos e suspensões de rotas, resultando numa redução do volume global de tráfego aéreo nas últimas semanas”, explica ainda a empresa no mesmo comunicado.

A TAP fica restringida a três voos semanais para S. Paulo; dois voos por semana para Newark, Boston, Miami e Toronto, Luxemburgo, Genebra, Frankfurt, Paris e Amesterdão; quatro voos semanais para Londres e todos com saída de Lisboa. Em Portugal haverá três voos diários Lisboa-Porto, Lisboa-Terceira, dois voos diários Lisboa-Funchal e um voo por dia Lisboa Ponta Delgada.

A companhia começou por cancelar 1.000 voos devido ao surto de coronavírus no final de fevereiro, depois anunciou o cancelamento de outras 2.500 viagens fruto da “quebra nas reservas para os próximos meses”. Com o agravar da situação em Itália e a decisão de colocar o país em quarentena, a empresa admitiu que o número de voos suprimidos na Europa iria aumentar ainda mais e depois com a decisão de Donald Trump de proibir os voos da Europa, a TAP viu cancelados os 56 voos semanais que faz para este mercado.

A TAP já tinha anunciado esta semana que iria reembolsar, com a emissão de um ‘voucher’ com a validade de um ano, os clientes que queiram cancelar viagens com início até 31 de maio. Em alternativa, a TAP permite aos clientes “alterar as suas reservas para viagens com data de início até 31 de maio, remarcando a nova viagem para qualquer destino e para uma data até 31 de dezembro de 2020”, informou a empresa na terça-feira.

As companhias aéreas têm sido dos setores mais afetados pela pandemia de coronavírus que já matou mais de oito mil pessoas e infetou mais de 190 mil. Por isso, a Comissão Europeia já abriu a porta para que os Estados membros possam ajudar estas transportadoras, sem que esses apoios sejam classificados como ajudas de Estado.

A TAP com esta nova restrição à sua atividade fragiliza ainda as suas contas. A empresa já decidiu inclusivamente não dar prémios aos trabalhadores, como tem feito nos últimos anos. Em 2019, a empresa registou um prejuízo de 105,6 milhões de euros, um desempenho (que melhorou ligeiramente face a 2018) justificado pela TAP com o investimento de mais de 1,5 mil milhões de euros na renovação da frota.

Esta quinta-feira a companhia aérea australiana Qantas Airways anunciou que todos os voos internacionais serão interrompidos durante os próximos dias, como medida preventiva para impedir a propagação da pandemia da doença Covid-19. E a Ryanair decidiu reduzir, a partir de 24 de março, os voos ao mínimo mantendo apenas as ligações entre o Reino Unido e a Irlanda.

(Notícia atualizada)

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