BCP tem medidas de 4,7 mil milhões para apoiar famílias e empresas

Miguel Maya assegurou que o banco vai dar moratórias aos clientes imediatamente no dia em que as autoridades publicarem as regras que permitam o adiamento das prestações nos empréstimos.

Miguel Maya adiantou que o BCP está pronto para ajudar os seus clientes nesta crise, com um conjunto de medidas que totalizam os 4,7 mil milhões de euros. Assegurou que o banco está pronto para dar moratórias aos clientes imediatamente “no dia” em que o Governo publicar as regras que permitam o adiamento das prestações nos empréstimos.

“Temos preparado um conjunto de medidas para apoiar a economia, estas medidas totalizam mais de 4,7 mil milhões de apoio, é um pacote muito significativo“, disse o presidente executivo do BCP no programa Negócios da Semana, na Sic Notícias.

“Ainda não as anunciamos ao mercado porque entendemos que o devemos fazer de uma forma muito rigorosa, quando tivermos condições de ajudar. O que quero dizer com isso? Nós avançarmos e colocarmos as medidas, começarmos a fazer as reestruturações ao abrigo da tal moratória, que ainda não conhecemos”, explicou.

Miguel Maya afirmou que o que falta neste momento é o diploma legal que vai “permitir que essas reestruturações se enquadrem numa moratória (…) que faça com que esses clientes não fiquem marcados como clientes em dificuldades e a seguir possam continuar a aceder ao sistema financeiro”.

Assim que for publicado esse regime, o BCP começará a fazer reestruturações dos empréstimos “no dia”, assegurou o presidente do banco.

“A minha expectativa é que essa negociação [do Governo] com autoridades europeias seja concluída esta semana e que, o mais tardar, no início da próxima semana estejam cá as medidas que permita de imediato apresentar soluções”, disse.

Já vários bancos em Portugal anunciaram medidas nesse sentido, incluindo a Caixa Geral de Depósitos, Santander, BPI e Crédito Agrícola. Esta quarta-feira, o supervisor europeu — a Autoridade Bancária Europeia (EBA) — deu luz verde aos bancos para concederem moratórias. Mário Centeno assegurou que o regime das moratórias estará pronto até final da semana.

Para Miguel Maya, o governo está a fazer um diagnóstico correto nesta matéria. “O governo português está a fazer o que deve fazer”, disse. E rejeitou que haja qualquer atraso neste processo. “As autoridades não estão a atrasar, estão a fazer trabalho profundo e complexo”.

O presidente do BCP começou a sua intervenção agradecendo a ajuda dos contribuintes durante a crise da dívida soberana, lembrando que o Estado emprestou 3.000 milhões de euros através das obrigações contingentes.

O BCP sabe muito bem o que é ser ajudado e agradece a ajuda aos contribuintes. Sem essa ajuda não teríamos sobrevivido”, afirmou. Acrescentou depois que o banco foi capaz de devolver esse empréstimo e que pagou juros de 1.000 milhões.

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