BCP diz que mantém spreads de clientes que não cumpram no crédito à habitação

  • Lusa
  • 27 Março 2020

O banco anunciou que "entre 1 de abril e 30 de junho, suspenderá o agravamento do spread dos contratos de crédito” a clientes que não consigam cumprir as condições face ao Covid-19.

O BCP divulgou esta sexta-feira medidas para empresas e famílias afetadas pela pandemia de covid-19 e indicou que não vai agravar spreads de clientes particulares que não consigam cumprir contratos de crédito à habitação.

Em comunicado divulgado esta sexta-feira, o banco indica que, “entre 1 de abril e 30 de junho, suspenderá o agravamento do spread dos contratos de crédito a clientes que não consigam cumprir as condições de bonificação dos contratos de crédito devido às consequências do surto de coronavírus.

A moratória do Governo, publicada esta sexta-feira, que permite a clientes não pagarem as prestações do crédito até setembro, impede que essa suspensão seja considerada um incumprimento do contrato pelo cliente.

Mas, é comum, por exemplo, os spreads (margem de lucro do banco) contratados dependerem da subscrição de produtos e serviços adicionais pelos clientes (cross selling), como cartão de crédito ou seguros, mantendo o banco aquele spread enquanto o cliente tiver outros produtos associados, pelo que poderá haver um agravamento do spread caso os clientes deixem de cumprir algumas condições de bonificação.

Ainda no comunicado divulgado, nas medidas para as empresas, o BCP indicou que reforçou crédito para tesouraria e liquidez imediata, com 500 milhões de euros para factoring (adiantamento de recebimentos) e confirming (execução de pagamentos).

O banco disponibiliza ainda linhas de crédito garantidas, financiamento para alongamento do pagamento de impostos (adiantando dinheiro de impostos às empresas), reforço de faturas sobre o setor público e adiantamento de pagamento do Estado, com o objetivo de “apoiar a economia, proteger o emprego e reforçar a sustentabilidade empresarial”, indicou em comunicado.

Entre outras medidas, os clientes que abram conta por telefone ou meios digitais podem aceder à conta-pacote por um euro por mês até final de setembro, com isenção de várias comissões, e há proteção de covid-19 em seguros de doença, invalidez e morte, desde que as pessoas não tenham viajado para países de risco ativo.

O Millennium BCP sabe bem o que é ser ajudado e a importância da ajuda. Sabemos que o nosso papel é decisivo para a economia portuguesa. Se os nossos clientes não estiverem bem, nós também não estaremos. Podem contar connosco”, disse o presidente do BCP, Miguel Maya, citado em comunicado.

Segundo o BCP, o conjunto de medidas para famílias e empresas tem um “valor total de 4,7 mil milhões de euros”.

Foi esta sexta-feira publicado em Diário da República o decreto-lei do Governo que permite moratórias de créditos à habitação e créditos de empresas, com suspensão dos pagamentos das prestações (juros e capital) até 30 de setembro.

Para as empresas há ainda linhas de crédito garantidas pelo Estado no valor total de 3.000 milhões de euros, para financiar necessidades de tesouraria e fundo de maneio de empresas, o que os bancos consideram insuficiente face ao que será necessário para sustentar a economia perante a grave crise provocada pela covid-19.

Na quinta-feira à noite, o BCP comunicou que vai propor na assembleia-geral de 20 de maio o cancelamento do pagamento de dividendos referentes a 2019, devido à incerteza associada à situação de pandemia, mas que vai manter a compensação salarial aos trabalhadores.

O BCP registou lucros de 302 milhões de euros em 2019, um aumento de 900 mil euros (0,3%) face aos 301,1 milhões de euros registados em 2018.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

BCP diz que mantém spreads de clientes que não cumpram no crédito à habitação

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião