Navigator corta dividendos a metade. Vai pagar 13,94 cêntimos por ação

A administração já tinha anunciado que ia baixar dividendo, depois da redução do lucro em 2019. Vai pagar aos acionistas 0,1394 euros por ação. Navigator diz que ainda não teve impacto do Covid-19.

A Navigator vai pagar dividendos de 13,94 cêntimos por ação, metade da remuneração que pagou aos acionistas no ano passado.

De acordo com a proposta da administração, a papeleira pretende distribuir 99,14 milhões de euros de lucros pelos acionistas (Semapa detém 70% do capital), o que representa um payout de 59% face aos lucros de 168,3 milhões obtidos em 2019. Tendo em conta o preço de fecho desta sexta-feira, o dividendo apresenta uma taxa de retorno (dividend yield) de 6,7%

Caberá agora aos acionistas aprovar o dividendo na assembleia geral marcada para o dia 28 de maio, segundo a convocatória publicada esta sexta-feira na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A administração já tinha avisado que ia reduzir o nível de dividendos. “É uma decisão dos acionistas. Não é connosco, mas o nosso palpite é que os dividendos não serão mantidos neste nível nos próximos anos”, referiu o administrador Fernando Araújo em fevereiro, durante uma conferência com os analistas.

Na mesma ocasião, o gestor disse não a empresa não previa pagar mais do que os lucros que teve no ano passado. “Não podemos distribuir mais do que isso, a não ser que os acionistas entendam distribuir reservas como aconteceu este ano”, apontou.

Há um ano, a Navigator pagou um dividendo de 27,943 cêntimos (o regular de 23,71 cêntimos e a distribuição de reservas de 4,184 cêntimos”, totalizando os 200 milhões de euros.

Covid-19 sem impacto, para já

Desde que apresentou resultados, no dia 11 de fevereiro, muito mudou no cenário internacional e nacional com a disseminação do novo coronavírus em todo o mundo, o que afetou a atividade de muitas empresas.

A Navigator diz que “até ao momento, as operações têm decorrido com normalidade e sem qualquer disrupção no serviço aos clientes”. “Podemos também referir que, até ao momento, o grupo não detetou no seu volume de vendas de papel, pasta e tissue qualquer impacto que possa decorrer do Covid-19“, frisou ainda.

A papeleira diz que está a monitorizar continuamente a situação ao nível de toda a cadeia de fornecimento, desde o abastecimento de madeira, de matérias-primas e subsidiárias (incluindo as questões de logística), nos serviços técnicos e de apoio prestados por empresas estrangeiras e nos prestadores de serviço em regime de outsourcing, entre outros.

Apesar de ainda não ter sido afetada, a Navigator sublinha que “não tem visibilidade de impactos decorrentes do Covid-19 nas suas demonstrações financeiras e está a desenvolver uma avaliação de riscos para tentar aferir esses possíveis impactos, avaliação que ainda se encontra a em curso”.

“Estamos a trabalhar arduamente para minimizar os potenciais impactos desta pandemia na nossa atividade”, frisa.

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