“Cerco” em Ovar prejudicou a Nestlé. Mas CEO mantém “foco total no propósito” da companhia

O "cerco" em Ovar prejudicou a Nestlé, mas o setor alimentar não pára apesar desta crise. O líder da marca em Portugal também está em teletrabalho, mas mantém "foco total no propósito" da companhia.

Muitas empresas estão paradas por causa da pandemia do coronavírus. O setor alimentar também está sob pressão, mas os portugueses precisam de comida na mesa e, nessa missão, não há mãos a medir. É o caso da Nestlé, presente há quase 100 anos em Portugal: “Temos de analisar o que de novo está a acontecer e como poderá evoluir e adaptarmo-nos rapidamente, de forma a dar aos portugueses os produtos de que necessitam”, assume o presidente executivo da Nestlé Portugal.

À semelhança de praticamente metade do país, Paolo Fagnoni também está em regime de teletrabalho. Assim como 1.500 dos cerca de 2.200 colaboradores da Nestlé Portugal. A adaptação foi feita com “relativa facilidade”, visto que a empresa já estava a flexibilizar as formas de trabalhar “há cerca de um ano”. “Ao nível da nossa sede em Linda-a-Velha, onde trabalham 1.000 pessoas, todas estão em casa e mesmo as funções administrativas das nossas fábricas e dos nossos centros de distribuição conseguem também assegurar as respetivas funções e responsabilidades em formato teletrabalho”, detalha o gestor em entrevista para a rubrica Gestores em teletrabalho, do ECO.

Nem tudo são boas notícias. No caso da Nestlé, para já, há pelo menos um foco preocupação: “Até ao momento, o maior impacto que sentimos nas nossas operações foi ao nível da nossa fábrica e o nosso Centro de Distribuição de Avanca que, fruto do cerco sanitário imposto à cidade de Ovar, teve de prescindir de cerca de 130 colaboradores que vivem nessa cidade para os proteger a eles e aos seus colegas das fábricas e para respeitar a tomada de decisão por parte das autoridades”, comenta Paolo Fagnoni. “O que fizemos foi reorganizar os turnos da fábrica”, acrescenta.

Com equipas grandes, o peso da responsabilidade pode ser maior. Mas o gestor diz-se ainda mais focado e dedicado: “Mantenho o meu foco total no propósito da nossa companhia. Nestas difíceis circunstâncias, exige-se ainda mais dedicação, atenção e excelência operacional. Devo dizer que posso contar com uma cultura empresarial incrivelmente forte, alimentada e nutrida todos os dias por gestores e colaboradores extraordinários, como todos meus colegas da Nestlé em Portugal”, garante.

O gestor admite, no entanto, que a experiência da Nestlé é uma vantagem nestes momentos de pressão. Diz que, ao longo da sua história, a marca “já passou por diversos períodos igualmente conturbados”. “Em todos os momentos, dos mais tranquilos aos mais difíceis, o que moveu e nos continua a mover é exatamente o nosso sólido propósito que conduz a nossa criação de valor para todos os consumidores, colaboradores, parceiros de negócio, acionistas e sociedade”, sublinha ao ECO o líder da Nestlé Portugal.

Mantenho o meu foco total no propósito da nossa companhia. Nestas difíceis circunstâncias, exige-se ainda mais dedicação, atenção e excelência operacional.

Paolo Fagnoni

Presidente executivo da Nestlé Portugal

Com os países a aplicarem severas restrições à atividade económica na tentativa de travarem a pandemia do Covid-19, avizinha-se um período de crise e uma recessão mundial. Mas os dados mudam a cada dia e Paolo Fagnoni não arrisca fazer previsões: “É ainda cedo para traçar cenários sobre o que sairá desta crise e que alterações implementaremos na forma como até aqui temos atuado. Mas uma coisa é certa: será diferente. Estaremos cá para antecipar, tanto quanto nos for possível, e para liderar as mudanças pelas quais temos de passar”, assume o gestor.

Termina a conversa com esta rubrica do ECO deixando uma série de conselhos aos gestores de outras empresas: “Que mantenham o foco na missão da sua companhia e que se adaptem rapidamente a um mundo que se altera cada vez mais depressa”, diz. “Não foi certamente possível prever esta pandemia global, no entanto, antecipação é a atitude chave que nos permite adaptar-nos e gerir a mudança disruptiva. Na verdade, ser uma ‘organização antecipativa’ é a qualidade mais importante tanto para a gestão como para a organização”, conclui o presidente executivo da Nestlé Portugal.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

“Cerco” em Ovar prejudicou a Nestlé. Mas CEO mantém “foco total no propósito” da companhia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião