Falta de espaço para tanto petróleo pode levar preço a zero

  • ECO
  • 1 Abril 2020

Pela primeira vez desde 1998, instalações de armazenamento, refinarias, terminais, navios e condutas poderão atingir capacidade máxima. JBC Energy que estima que haja 6 milhões de barris sem-abrigo.

As estradas estão vazias, os aviões em terra e as fábricas paradas. A pandemia de Covid-19 está a fazer afundar a procura por petróleo e já levou os preços para mínimos de 18 anos. Com os produtores a manterem os níveis de produção, o mundo está a ficar sem espaço para tanto petróleo e o preço poderá cair até zero.

“O mercado está a começar a sinalizar que não só não há procura para o crude, como eventualmente não há mesmo onde o por“, alertou Jeff Wyll, analista sénior de energia da Neuberger Berman, em declarações à CNN (acesso livre, conteúdo em inglês).

Na prática, poderá significar que as instalações de armazenamento, as refinarias, os terminais, os navios e as condutas poderão atingir a capacidade máxima. Segundo o Goldman Sachs, o problema não se verifica desde 1998.

Em causa está a conjugação de choques do lado da oferta e da procura. Com 3,5 mil milhões de pessoas a viver em confinamento a nível global, a Agência Internacional de Energia estima uma quebra de consumo até 20 milhões de barris por dia.

Em simultâneo, dois dos maiores produtores do mundo — a Arábia Saudita e a Rússia — entraram num conflito que pôs fim à estratégia conjunta que estava em vigor há mais de três anos. Esse acordo limitava a produção de cada um com o objetivo de limitar o excedente do mercado e manter a estabilidade dos preços.

Oficialmente, terminou esta terça-feira, mas a perspetiva do fim do acordo foi uma das principais causas para o tombo do petróleo nas últimas semanas. O Brent negociado em Londres está próximo de 25 dólares e o crude WTI de 20 dólares, ambos no valor mais baixo desde 2002, mas há regiões, como o Canadá ou a Rússia, onde o valor está já abaixo dos 10 dólares.

A procura está a cair tão rapidamente face à oferta que, em breve, o principal problema de muitos produtores não será se conseguem garantir lucro operacional, mas sim se conseguem escoar o petróleo“, dizem os analistas da JBC Energy que estima que haja seis milhões de barris “sem-abrigo” por dia, ainda em abril. O número poderá subir para sete milhões de barris por dia em maio.

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