Reskilling: como as universidades se adaptam aos “novos” alunos

Regime que permite a alunos maiores de 23 anos frequentarem cursos superiores data de 2006. Universidades recebem ainda poucos estudantes com vontade de mudar completamente de área.

É o curso mais antigo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP). A licenciatura em Economia foi garantia do arranque da instituição portuense, em 1953 e, durante muitos anos, foi a única oferta da universidade. Com o passar dos anos, a estrutura curricular do curso foi sendo ajustada, assim como a sua duração que passou de cinco para três anos, com o processo de Bolonha.

Na FEP, o reskilling é tratado como um poder de mudança atribuído, sobretudo, aos diretores dos ciclos de estudo, que “poderão imediatamente ser agentes de reskilling enquanto responsáveis por propor alterações no seu plano de estudos (as competências que os estudantes irão adquirir estão diretamente relacionadas com os conteúdos do programa), relatores das atividades anuais do curso e proponentes de um conjunto de medidas de melhoria do curso que os órgãos de gestão da faculdade podem acolher (proporem a promoção de metodologias de ensino-aprendizagem mais centradas no estudante, proporem a construção de pontes com o “mundo real” através de visitas a empresas, ciclos de seminários e outros eventos” e também como “órgão que garante a qualidade científica e académica do curso, assim como responsável por trabalhar lado a lado com o Conselho Pedagógico (ou outros órgãos) na definição estratégica dos resultados de aprendizagem dos seus estudantes”, assinalam os responsáveis, em conversa com a Pessoas.

O Governo estabeleceu em 2006 o regime que permite um “concurso especial para estudantes aprovados nas provas especialmente adequadas a avaliar a capacidade para a frequência do ensino superior dos maiores de 23 anos” mas nem todas as instituições contam com esta possibilidade.

A Católica-Lisbon School of Business & Economics é uma delas. “Todos os nossos programas de Licenciatura em Economia e Administração e Gestão de Empresas são concebidos para alunos sem experiência profissional ou qualquer formação no Ensino Superior. Estes programas são full-time (não dispomos de regime pós-laboral), aconselhados para candidatos com idades compreendidas entre os 17 e os 21 anos”, explica fonte oficial da universidade. Assim, para todos os candidatos acima do target definido, é feito um aconselhamento “para obter mais informações relativamente à formação de executivos ou mestrados executivos, que serão programas mais adequados ao perfil em questão”.

Com uma média de idades de alunos de licenciatura nos 21 anos, 76% dos alunos do ISEG estão compreendidos na faixa etária entre os 17 e os 21 anos. E há poucos indícios de que essa realidade possa mudar nos próximos anos.

“Na comunicação que fazemos relativamente a licenciaturas, referimos que tirar uma licenciatura no ISEG é optar por aprender com um corpo docente exigente e de qualidade internacional, contactar no dia-a-dia com a maior rede de alunos e antigos alunos de economia e gestão de Portugal e adquirir competências que permitem a diferenciação dos nossos alunos num mercado cada vez mais global”, explica Clara Raposo, dean daquela universidade. A responsável admite ainda a inexistência de incentivos específicos para os alunos com mais de 23 anos concluírem uma segunda ou subsequente licenciatura.

Ilustração Louise Farias

“Os alunos com mais de 23 anos, assim como os restantes alunos, beneficiam de um ambiente de coopetição, o qual potencia o desenvolvimento pessoal e profissional e proporciona uma liberdade de pensamento essencial aos melhores economistas e gestores”, assegura a dean do ISEG – Lisbon School of Economics & Management. A aposta está relacionada também com a pouca procura: o ISEG recebe entre 6 a 10 alunos maiores de 23 anos por ano, os quais procuram formação essencialmente nas áreas de Economia e Gestão.

Aposta no reskilling? Nos mestrados

Ainda que, com uma oferta que considera “muito diversificada” e “destinada a públicos por vezes distintos”, na preparação de alunos que precisem de apostar em novas competências ou queiram mudar drasticamente a sua área de formação, a universidade aposta nos programas de 2.º ciclo. “O ISEG desempenha um papel ativo no reskilling fundamentalmente ao nível dos mestrados. O reskilling na licenciatura é, no ISEG, ainda residual. Temos alguns alunos que entram ao abrigo do concurso especial para titular de curso superior e que fazem uma nova licenciatura. Este reduzido número de alunos pode ser justificado pelo facto das nossas licenciaturas funcionarem em regime laboral”, sublinha.

Na FEP, a média de idades nas licenciaturas de economia e de gestão é de 20,81 anos e de 20,36 anos, respetivamente. A faculdade refere que o perfil dos alunos que procuram os cursos disponíveis não tem mudado nos últimos anos, salvaguardando ainda que o curso com mais procura em alunos maiores de 23 anos é a licenciatura em gestão. Ponto assente é o público-alvo da formação em licenciatura. “Incentivamos a vinda de alunos com muito boas classificações, tipicamente obtidas pelos alunos jovens que fazem o secundário de forma seguida e entram na FEP com 17 ou 18 anos”, explicam os responsáveis.

A Faculdade de Economia da Universidade do Porto tem ainda apostado nesta área, também na formação dos professores. “Oferecemos a todos os seus docentes – incluindo, por isso os da FEP -, a possibilidade de frequentar um conjunto alargado de formações de âmbito pedagógico nas quais se inclui também a temática referida: como falar em público, como motivar os estudantes, adaptar as aulas para utilizar metodologias de ensino-aprendizagem mais focada no estudantes”, refere a faculdade.

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