CCP com piquete permanente. Há uma “avalanche de pedidos de esclarecimento”

A pandemia de coronavírus levou o Governo a adotar uma série de medidas extraordinárias e as empresas a enviarem uma "avalanche" de pedidos de esclarecimento para a CCP.

A pandemia de coronavírus alterou, de modo significativo, a rotina de trabalho de João Vieira Lopes. O administrador de várias empresas no mercado da distribuição alimentar e presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) adianta que, mesmo em teletrabalho, passa o dia a fazer contactos, porque “a situação de crise é complexa”.

João Vieira Lopes é um dos muitos portugueses que, face ao surto de Covid-19, estão a trabalhar a partir de casa e é mais um dos entrevistados da nova rubrica diária do ECO, os Gestores em Teletrabalho.

No que diz respeito às empresas às quais está ligado, Vieira Lopes está “completamente em teletrabalho”, mas no que toca à CCP há ainda alguns contactos que não podem ser feitos remotamente. Por isso mesmo, há na sede dessa confederação uma equipa de pessoas numa “espécie de piquete permanente”, estando a maior parte dos trabalhadores a trabalhar a partir à distância.

Em casa ou no escritório, o pessoal da confederação que representa o comércio e serviços tem sido colocado sob uma “pressão brutal” face à “avalanche” de pedidos de esclarecimentos enviados quer por empresas quer por associações relativamente às várias medidas lançadas pelo Governo em resposta à crise pandémica, avança João Vieira Lopes.

Ainda assim, o engenheiro frisa que a gestão das pessoas “não tem sido complicada”, mas a nível informático a questão não tem sido tão simples. “Tivemos que investir em mais material informático e isso tem sido mais difícil”, diz.

“Não me espantaria se desemprego duplicasse”

Como é que a pandemia de coronavírus vai afetar o futuro do mercado de trabalho e da economia em geral? João Vieira Lopes lembra que os economistas têm antecipado que há uma recessão no horizonte e atira: “Não me espantaria se a taxa de desemprego passasse, pelo menos, para o dobro”. Isto porque os setores vão recuperar “a ritmos diferentes” e a recuperação do emprego que tinha sido conseguida nos últimos tempos vai ficar paralisada, prevê o líder da CCP.

Sobre as medidas lançadas pelo Executivo de António Costa para apoiar as empresas face ao surto de Covid-19, os representantes do comércio e serviço defendem que as linhas de financiamento “chegaram inexplicavelmente tarde”, o que não só põe em risco o pagamento dos salários em abril, como “complica seriamente o cumprimento de prazos de pagamento entre empresas”.

Já sobre os apoios para os sócios-gerentes, a confederação frisa: “Esta medida revela uma completa insensibilidade social em relação a milhares de empresários do comércio, restauração, reparação automóvel, serviços como cabeleireiros“. Isto uma vez que o apoio previsto para estes sócios-gerentes só abrange aqueles que não tenham trabalhadores dependentes e tiverem até 60 mil euros em faturação.

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