Tecnologia pode acelerar respostas a idosos na era Covid

Tecnologia aproxima em tempos de quarentena. Literacia digital pode dificultar acesso de população idosa a ferramentas de inovação social mas é, também, uma oportunidade.

Preparar respostas para os idosos na era da pandemia foi uma das principais preocupações da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa nos últimos meses. Se, em março, o Governo declarou o estado de emergência com medidas preventivas que incluíram restrições severas ao contacto interpessoal, em fevereiro a Santa Casa já implementava alterações na maneira como interage com os utentes. “A Santa Casa não reage, planeia. Começámos a planear em fevereiro”, explica Sérgio Cintra, administrador da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no painel de arranque da Social Good Summit dedicada à Covid-19 e com transmissão em direto, online.

“A melhor expressão que tenho para o que estamos a fazer é que hoje tenho 500 heróis, que fazem apoio domiciliário, higiene, alimentação, e apoio social”, explica Sérgio Cintra, administrador da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, sublinhando que, mesmo as pessoas que frequentavam os centros de dia — que foram encerrados para prevenir o contágio com coronavírus em populações de risco — “não ficaram desprovidas de apoio”.

“Transferimos o apoio para a casa das pessoas. Usámos um código de cores — verde, amarelo e vermelho — para identificar níveis de necessidades e dinamizámos uma série de parcerias. Temos de garantir a maior proteção para um inimigo invisível e desconhecido. E não é fácil convencer as pessoas, nossos avós, que têm de fazer determinada coisa para sua proteção”, assinala.

Foi a pensar nesta população de risco que surgiram alguns dos projetos nascidos no âmbito do movimento Tech4Covid, lançado no início da pandemia em Portugal, e que mobiliza mais de 5.300 voluntários com diferentes graus de envolvimento.

“Dizemos muitas vezes que o movimento é um human to human. Após seis semanas, temos cerca de 5.300 voluntários envolvidos e mais de 70 iniciativas em curso”, assinala Filipa Ferreira, representante do movimento Tech4Covid no debate sobre “novos tempos para os nossos seniores”. A responsável assinala que, ainda que a tecnologia seja chave na maioria destes projetos, o grande desafio passa por maximizar este potencial. “O desafio da tecnologia faz com que este potencial de chegar a mais gente não esteja a ser totalmente maximizado, tendo em conta a faixa etária do público-alvo”, justifica.

Não é, por isso, de Filipa, a ambição de que a tecnologia possa “substituir a proximidade e o contacto social, tanto nesta população como na cultura” em geral. “Perante um cenário como o de hoje, se maximizarmos este potencial podemos encurtar distâncias e fomentar maior inclusão desta população. Temos avós e netos que estão próximos graças à tecnologia. Permite uma sensação de maior proximidade, mesmo com um computador no meio”, assinala.

Perante um cenário como o de hoje, se maximizarmos este potencial podemos encurtar distâncias e fomentar maior inclusão desta população.

Filipa Ferreira

Tech4Covid

“Falamos de novas formas de responder a problemas sociais através de novas abordagens. Para esclarecer o que é inovação social faço uma comparação grosseira com ação social: a segunda é uma resposta imediata para um problema. A segunda procura resposta na raiz dos problemas. Neste tempo, a inovação não chega para o dia de amanhã, é necessária para responder aos problemas de hoje“, assinala Filipe Almeida, presidente do Portugal Inovação Social que, atualmente, tem mais de 70 projetos em curso, muitos deles ligados às franjas etárias mais avançadas da população.

Projetos que combatem a solidão ao mesmo tempo que estendem as dimensões familiares dos idosos são exemplo de alguma das ideias apoiadas pelo Portugal Inovação Social, que pretende ligar investidores e empreendedores e projetos de impacto social.

Também para manter esta vertente da inovação, a Santa Casa apoia esse braço, de certa forma, através do hub da Casa do Impacto. “Serve para continuarmos ativos. A Misericórdia tem de fazer investimento social direto para garantir que as melhores soluções acontecem. E que o ensinamento que tiramos daí, permite que o próximo projeto corra bem”, detalha o administrador Sérgio Cintra.

“Mais uma vez, este momento que atravessamos mostra-nos que temos muitos desafios, a serem hoje agarrados pelo Governo, pelas empresas, pelos movimentos e por cada um de nós. Para podemos maximizar estas soluções, temos de atuar em quatro eixos fundamentais: na democratização ao acesso à tecnologia, na aposta muito forte na literacia digital, numa vertente de comunicação menos hermética — que pode excluir, à partida — e na responsabilidade nossa em cada família. Não tenho a ambição de dizer ‘vai ficar tudo bem’, mas vai ficar bastante melhor se cada um fizer a sua parte nesta questão. E estes desafios que temos tido são importantes para nos tornarmos em melhores pessoas e numa comunidade mais sustentável. O momento é agora”, conclui Filipa Ferreira.

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