Aladdin entra em Portugal. No pico do stress, chegou o génio da gestão de risco

A gestora de ativos do Santander tornou-se, em abril, a primeira instituição financeira no país a implementar a plataforma tecnológica criada pela norte-americana BlackRock.

Há quase um século que não se via uma crise assim. Com a pandemia de coronavírus a parar as economias, o pânico dos investidores fez-se sentir nos mercados financeiros: o índice de medo disparou e as bolsas caíram a pique. Foi neste cenário que chegou a Portugal (pela mão do Santander) a tecnologia de ponta na gestão de risco, Aladdin.

A gestora de ativos do grupo Santander assinou um acordo com a BlackRock para adaptar a plataforma Aladdin e acelerar a transformação tecnológica em simultâneo nos dez mercados em que está presente. Após ter estado em implementação durante um ano, ficou ativa em Portugal, Espanha, Reino Unido, Luxemburgo e Polónia em abril.

“Foi necessário configurar toda a ferramenta para as necessidades da Santander Asset Management (SAM), carregar carteiras, regras de risco, entre outras operações”, explica o CEO Joaquim Calça e Pina, ao ECO, sobre o processo de implementação da plataforma desenvolvida e comercializada pela BlackRock.

A SAM espera que este sistema contribua para melhorar a rendibilidade dos fundos e resultados, contribuindo ainda para uma maior inovação na oferta de soluções de investimento. Ambas as circunstâncias permitirão reduzir o tempo de reação a possíveis mudanças em diversas circunstâncias como as condições mercado ou a parte regulatória.

Joaquim Calça e Pina

CEO da Santander Asset Management

O software foi criado pela maior gestora de ativos do mundo e começou a ser comercializado a outras financeiras na viragem do século. Acabou por tornar-se um ponto de referência na gestão de ativos e ganhar peso nos lucros da BlackRock. No entanto, a tecnologia nunca tinha chegado a Portugal. Foram precisas duas décadas.

Permite, não só a gestão de todas as carteiras, como a integração de regras e parametrizações de indicadores de riscos”, conta Calça e Pina. “Permite, sobretudo, a integração de todas as análises de riscos numa ferramenta de front-office. É muito mais fácil e imediato todo o controlo de riscos”.

A rapidez na análise de risco é especialmente importante para as gestoras de ativos no momento de stress gerado pela Covid-19 nos mercados financeiros. As bolsas europeias viveram, entre janeiro e março, o pior trimestre desde 2002 e os fundos de investimento portugueses espelharam esse desempenho. Nas ações não houve ganhos e só alguns fundos de obrigações conseguiram manter-se à tona. No caso do Santander, nenhum fundo fechou o trimestre positivo.

A inovação digital é uma pedra angular da estratégia e do processo de transformação da SAM de forma a manter-se uma gestora competitiva à escala global.

Joaquim Calça e Pina

CEO da Santander Asset Management

A SAM espera que este sistema contribua para melhorar a rendibilidade dos seus fundos e resultados, contribuindo ainda para uma maior inovação na oferta de soluções de investimento”, diz o responsável da gestora de ativos, que é a quarta maior do país, com 17,8% da quota de mercado nos fundos de investimento.

Calça e Pina acredita que poderá assim reduzir o tempo de reação não só a possíveis mudanças nas condições de mercado, como também na parte regulatória, “cujas constantes alterações constituem um dos maiores desafios para as gestoras de ativos”.

Numa fase seguinte, em agosto, o objetivo é implementar a plataforma no Brasil e na Argentina e, por último, nas unidades do México, Chile e Porto Rico até ao final do ano. “A inovação digital é uma pedra angular da estratégia e do processo de transformação da SAM de forma a manter-se uma gestora competitiva à escala global“, acrescenta o gestor.

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