Situação é “dramática”, mas CEO da BlackRock vê oportunidades. E confia numa “recuperação económica sólida”

Os efeitos do coronavírus não têm precedentes, mas Larry Fink lembra que há oportunidades a gerarem-se nos mercados e considera que a recuperação económica deverá ser sólida.

O coronavírus representa um desafio sem precedentes para a saúde e para a economia, mas a situação “dramática” poderá gerar “tremendas oportunidades”, segundo Larry Fink. Na carta anual aos acionistas, o fundador e CEO da BlackRock diz esperar que a recuperação económica e financeira seja sólida.

“Quando me sentei inicialmente para escrever esta carta, estava no meu escritório, a pensar sobre os eventos de 2019 e sobre tudo o que a BlackRock alcançou no ano passado. Hoje, isso parece uma realidade distante. Os escritórios da BlackRock por todo o mundo estão praticamente vazios e eu escrevo-vos do isolamento da minha casa, tal como milhões de outras pessoas”.

É assim que o histórico gestor, responsável por sete biliões de dólares em ativos, se dirigiu aos acionistas. Larry Fink fala sobre as implicações “profundas” do surto de coronavírus para os clientes, funcionários e acionistas, bem como dos efeitos que está a ter nos mercados financeiros.

Em 44 anos no mundo financeiro, nunca vivi nada assim“, diz sobre as quedas das bolsas que levaram Wall Street a afundar de máximos históricos até bear market, sobre as pausas na negociação acionadas devido à extrema volatilidade pela primeira desde 1997 e sobre a liquidez em mínimos históricos nas Treasuries norte-americanas.

Apesar de ser cauteloso nas projeções, considerando que é impossível saber se as ações já atingiram o fundo, o CEO da BlackRock também se mostra otimista. “Por muito dramático que esteja a ser, acredito que a economia irá recuperar de forma sólida, em parte porque não há, nesta situação, os obstáculos à recuperação que há numa típica crise financeira”, defende.

Larry Fink elogia ainda a velocidade dos bancos centrais e dos governos a implementarem estímulos monetários e orçamentais, respetivamente. Os Estados Unidos têm estado entre os países mais interventivos nesse campo, com o Senado e Casa Branca a aprovarem um pacote de dois biliões de dólares. Já a Reserva Federal norte-americana lançou uma série de medidas de emergência, incluindo a compra ilimitada de dívida pública e privada.

“A velocidade e a forma dessas políticas são profundamente influenciadas pela experiência mundial durante a crise financeira global de 2008. Acredito também é provável que estas ações sejam mais eficazes e funcionem mais rapidamente, pois não estão a lutar contra os mesmos desafios estruturais que enfrentavam há uma década“, sublinha.

Face a este cenário, o gestor acrescenta que a BlackRock está a adotar uma visão de longo prazo na política de investimentos. “O mundo vai ultrapassar esta crise. A economia vai recuperar. E para os investidores que afastarem o olhar do terreno instável que temos debaixo dos pés, mas que olhem para o horizonte à frente, há tremendas oportunidades nos mercados“, acrescenta.

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