Centeno de saída? “Os governos têm as suas dinâmicas, as pessoas têm a sua vida”, diz Costa

Primeiro-ministro mantém tabu sobre a saída de Mário Centeno do Governo para o Banco de Portugal, mas abre a porta. "Os governos têm as suas dinâmicas, as pessoas têm a sua vida", diz António Costa.

António Costa mantém o tabu sobre a saída de Mário Centeno do Governo para o cargo de governador do Banco de Portugal, mas deixa a porta aberta. “Os governos têm as suas dinâmicas, as pessoas têm a sua vida”, disse o primeiro-ministro em entrevista à TSF. Para já, Costa garante que o ministro das Finanças “está a trabalhar em pleno”, isto para frisar que a “falha de comunicação” em torno do Novo Banco está “ultrapassada”.

A primeira meia hora de entrevista da TSF com o primeiro-ministro foi ocupada com dois temas relacionados com o ministro das Finanças: a polémica transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco e a possível saída para o Banco de Portugal.

Em relação ao Novo Banco, António Costa tentou esvaziar o assunto referindo por várias vezes que já foi esclarecida a “falha de comunicação interna” com Centeno. “Não vou continuar alimentar esse assunto. (…) Fiz uma afirmação no Parlamento que não correspondeu à realidade. A falha foi diretamente esclarecida entre mim e o ministro”, referiu, lembrando que governar é um “trabalho em equipa que não está isento de falhas”.

“Se não tivesse aceitado as explicações, não teria mantido confiança no ministro”, reforçou António Costa, aproveitando as questões para elogiar Centeno à boleia de Marcelo Rebelo de Sousa. “Tem sido um longo e profícuo trabalho. Ainda ontem o Presidente da República disse que os portugueses têm razões para estarem gratos a Mário Centeno“, frisou. “Todos os dias cumpre o seu papel”.

Em relação à promessa junto de Catarina Martins de que não transferiria dinheiro para o banco sem conhecer os resultados da auditoria da Deloitte, o primeiro-ministro considera não ter dito “nada de que não tenha consciência disso”, embora tenha constatado no início da entrevista que o Estado apenas cumpriu “as suas obrigações contratuais” quando efetuou o empréstimo de 850 milhões ao Fundo de Resolução.

“Ninguém está eternamente no governo”

Costa reiterou que Centeno está em plenas funções, mas também lembrou que “ninguém está eternamente no governo” quando foi questionado sobre a sua designação para o cargo de governador do Banco de Portugal, o qual ficará vago em julho.

“Tudo terá o seu tempo”, respondeu o primeiro-ministro sobre o calendário de indicação do substituto de Carlos Costa, sem adiantar mais pormenores para “não deslegitimar” o atual governador.

Adiantou que vai consultar o Parlamento, o Presidente da República e outras instituições na altura de indicar o nome para o supervisor bancário. “Não farei o que o anterior primeiro-ministro (Passos Coelho) fez”, que foi telefonar às sete das manhã no dia em que o Governo ia aprovar em Conselho de Ministros a manutenção de Carlos Costa como governador, assegurou.

Se for necessário prolongar o atual mandato por mais alguns meses, Costa disse que não vê problemas nisso.

(Notícia atualizada às 10h07)

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