Bancos portugueses foram buscar mais 3,8 mil milhões de euros ao BCE no pico da pandemia

A larga folga de colateral que os bancos portugueses têm, bem como os programas de emergência que estão a ser lançados pelo BCE permitem que o montante aumente.

Os bancos portugueses foram buscar mais 3,8 mil milhões de euros em liquidez nos dois meses do pico da pandemia. O aumento do recurso a operações de financiamento junto do Eurossistema pôs fim a vários meses de diminuição e aconteceu numa altura em que o Banco Central Europeu (BCE) melhorou as condições de financiamento devido ao coronavírus.

As operações de cedência de liquidez totalizavam, no final de 2019, 17,3 mil milhões de euros (menos 7,6% que no final de 2018), revelam os dados divulgados no Relatório de Implementação de Política Monetária do Banco de Portugal. Mas a crise pandémica determinou uma inversão na tendência. E no final de abril, o recurso dos bancos às operações de financiamento do BCE situava-se assim em 21,2 mil milhões de euros.

Entre as medidas de emergências anunciadas pelo BCE para fazer face à crise pandémica está uma nova ronda de empréstimos temporários de baixo custo, as Targeted Longer-Term Refinancing Operations (TLTRO), a melhoria das condições dos empréstimos em curso (com taxas de juro 25 pontos base abaixo da média das operações de refinanciamento no Eurossistema) e ainda a criação Pandemic Emergency Longer-Term Refinancing Operations (PELTRO).

Foi no âmbito destas operações que os bancos portugueses aumentaram o recurso à liquidez. O aumento foi inferior ao registado na média da Zona Euro. No entanto, a larga folga de colateral que os bancos portugueses têm, bem como os programas de emergência que estão a ser lançados pelo BCE permitem que o montante aumente.

Procura por novas operações é inferior em Portugal que na média do euro

Fonte: Banco de Portugal

Banca aumentou reservas com sistema de escalões

O dinheiro que vão buscar ao sistema financeiro europeu pode ser usado para as medidas que estão a implementar para combater a crise, com as linhas de crédito e as moratórios à cabeça, mas também pode ser usada para outros fins como investimento em dívida pública. Até porque o aumento não significa que os bancos não tenham liquidez, mas sim que estão a aproveitar as condições favoráveis.

Em 2019, o BCE baixou a taxa de juro dos depósitos para -0,50%. Na prática, os bancos têm de “pagar” (em vez de receber) pelo dinheiro que têm depositado no banco central. No ano passado, o excesso de liquidez foi, em média, de cerca de 11,5 mil milhões de euros. O montante compara com os 10 mil milhões de euros registados em 2018 e chegou mesmo a atingir o máximo histórico de 16,7 mil milhões de euros na última revisão.

Esta evolução decorre da introdução, na área do euro, de um sistema de dois níveis na remuneração de reservas extraordinárias (tiering), que isenta parte das reservas excedentárias depositadas pelas instituições de crédito junto do banco central da remuneração negativa associada à taxa da facilidade de depósito”, explica o relatório do BdP.

A estratégia de fugir a este juro negativo recorrendo às operações de baixos custos já estava, aliás, a ser usada no ano passado. Na terceira série de TLTRO (cujas operações trimestrais decorrem entre setembro de 2019 e março de 2021), foram colocados 101 mil milhões de euros na Zona Euro e 2,5 mil milhões de euros em Portugal. A taxa de juro média ponderada destas operações (que varia consoante o banco) foi de -0,365% na Zona Euro e -0,236% em Portugal.

(Notícia atualizada às 13h40)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Bancos portugueses foram buscar mais 3,8 mil milhões de euros ao BCE no pico da pandemia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião