António de Sousa equipara Centeno a Beleza, Constâncio, Jacinto Nunes e Silva Lopes. “Conhece bem o Banco de Portugal”

"Mário Centeno fez um trabalho bastante bom como ministro e conhece bem o Banco de Portugal. Tem características semelhantes a vários outros governadores do BdP", disse ao ECO António de Sousa.

Depois da “crise, mini-crise ou nanocrise” que não existiu entre o ministro das Finanças e o primeiro-ministro, a ideia de que Mário Centeno está a prazo no Governo tem vindo a ganhar força, até porque o seu nome há muito que é falado como um potencial candidato para substituir Carlos Costa à frente dos destinos do Banco de Portugal (BdP). Para o antigo governador António de Sousa, Centeno “tem características semelhantes a vários outros governadores” e a passagem direta do Governo para o Banco Central é algo “quase habitual” na Europa, recorda.

“Mário Centeno fez um trabalho bastante bom como ministro e conhece bem o Banco de Portugal. Tem características semelhantes a vários outros governadores do BdP”, disse ao ECO António de Sousa, dando como exemplos Miguel Beleza, Vítor Constâncio, Silva Lopes e Jacinto Nunes. “Todos foram ministros das Finanças e todos foram governadores do Banco de Portugal”, sublinhou, admitindo que “uns terão feito melhor, outros pior”.

“Miguel Beleza, Vítor Constâncio, Silva Lopes e Jacinto Nunes são quatro pessoas que vieram do Banco de Portugal, foram ministros das Finanças e depois governadores do Banco de Portugal”, frisou o também antigo presidente da Caixa Geral de Depósitos.

António de Sousa, que dirigiu os destinos do Banco de Portugal entre junho de 1994 e fevereiro de 2000, admite que conhece “mal Mário Centeno”. “Vi-o três ou quatro vezes na vida. Ele entrou no Banco de Portugal na altura em que eu saí”, além disso existe também a diferença de idades para justificar o distanciamento. O responsável do Grupo ECS defende que tem um perfil diferente de Centeno porque “é mais de banca”, razão pela qual o equipara a outros governadores.

Quando questionado sobre a passagem quase direta do Executivo para o Banco de Portugal, António de Sousa, lembra que “na Europa é quase habitual”. O responsável também protagonizou uma passagem idêntica já que era secretário de Estado adjunto e das Finanças de Eduardo Catroga antes de ter assumido o cargo de governador em 1994. “Os governadores do meu tempo do Banco de França e do Bundesbank passaram do Tesouro para os respetivos bancos centrais”, recorda. “É prática cá em Portugal e é prática internacional. Não são todos, mas é um número muito significativo”, acrescenta.

Essa é uma descoberta que parece ter sido feita agora em Portugal, mas tem sido o mais habitual”, ironiza. A possível candidatura de Mário Centeno para governador do Banco de Portugal tem feito correr rios de tinta, mas é um tabu alimentado pelo próprio e pelo primeiro-ministro. “Os governos têm as suas dinâmicas, as pessoas têm a sua vida”, dizia aos microfones da TSF o primeiro-ministro esta segunda-feira. Costa garantiu que o ministro das Finanças “está a trabalhar em pleno”, e reiterou que a “falha de comunicação” em torno do Novo Banco está “ultrapassada”.

Questionado se Centeno ficou fragilizado enquanto ministro das Finanças depois deste episódio, António de Sousa não quis comentar por ser “uma questão que deve ser colocada a um político”.

A passagem do “Ronaldo das Finanças” para o topo da hierarquia do Banco de Portugal parece ter ganho um novo adepto: o próprio Carlos Costa que, este fim de semana, em entrevista ao Expresso (acesso pago), defendeu que “Centeno tem todas as condições para ser um grande governador”. Resta saber se António Costa está disposto a perder um elemento da equipa que lhe conseguiu dar o primeiro excedente das contas públicas na história da democracia e se está preparado para o colocar num lugar onde “vai fazer a vida negra ao Governo”, como sublinhava Marques Mendes este fim de semana.

Para já António Costa vai dizendo que “ninguém está eternamente no Governo”. O cargo de governador fica vago em julho, mas Costa diz apenas: “Tudo terá o seu tempo”.

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