Digital ganhou força com o vírus. BCP vê oportunidades para cortar custos após a crise

Banco considera que pandemia acelerou a mudança nos hábitos de consumo dos clientes para online e mobile. Mas também diz que tem uma rede de balcões ajustada àquilo que é a sua quota de mercado.

O BCP BCP 2,84% vê “novas oportunidades” para reduzir os custos, mas considera que avançar agora com cortes, no meio da crise do coronavírus, teria um impacto negativo na sua reputação. Além disso, o banco sublinha que a rede de balcões está ajustada àquilo que é a sua quota de mercado, pelo que reduzir ainda mais dependerá do que a concorrência fizer.

“Acreditamos que, assim que a crise for ultrapassada, haverá novas oportunidades para cortes nos custos”, afirmou o administrador financeiro do BCP durante a conferência de analistas realizada esta quarta-feira.

Mas, “no meio desta crise, avançar com um grande plano de corte de custos poderá ter efeitos reputacionais que poderá pesar mais do que seis meses ou nove meses de poupanças nos custos que poderemos vir a ter“, frisou ainda Miguel Bragança.

"No meio desta crise, avançar com um grande plano de corte de custos poderá ter efeitos reputacionais que poderá pesar mais do que seis meses ou nove meses de poupanças nos custos que poderemos vir a ter.”

Miguel Bragança

Administrador financeiro do BCP

Segundo o responsável, a pandemia de Covid-19 veio acelerar a mudança nos hábitos de consumo dos clientes, com maior procura pelos canais digitais em detrimento dos balcões.

De acordo com o banco, os acessos digitais dispararam 64% para 22,5 milhões de acessos no primeiro trimestre do ano, com o peso das transações digitais a aumentar 12 pontos percentuais para 68%. Ou seja, quase 70 em 100 operações realizadas pelo BCP foram feitas através dos canais digitais.

Se isto significará redução do número de agências? Miguel Bragança diz que dependerá do que os outros bancos fizerem.

“Temos uma quota de balcões e de custos que é muito mais baixa em relação à nossa quota de mercado. Temos sido líderes nesta área. (…) A questão de quão forte vamos reduzir os custos e quão forte poderemos reduzir balcões está muito ligado com o que a concorrência esta a fazer”, explicou o CFO do BCP.

“Já estamos na linha da frente em termos de reduzida presença de de balcões e não queremos perder quota de mercado, o que seria mais caro de recuperar”, referiu.

O banco fechou março com um rácio de cost to income de 46%, sendo que o objetivo passa por baixar os custos de estrutura face ao negócio bancário (melhorando a sua eficiência) para um valor abaixo dos 40%.

O BCP tem 501 balcões em Portugal, menos 38 do que há um ano. O banco anunciou esta terça-feira lucros de 35 milhões de euros no primeiro trimestre, menos 77% do que no mesmo período do ano passado, penalizado pelas provisões de 80 milhões de euros para fazer face à pandemia de Covid-19.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Digital ganhou força com o vírus. BCP vê oportunidades para cortar custos após a crise

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião