“Frugais” vão apresentar plano alternativo de fundo de recuperação da UE

  • Lusa
  • 20 Maio 2020

A posição surge depois de a França e a Alemanha terem apresentado, na segunda-feira, uma proposta de um fundo de recuperação para a UE de 500 mil milhões de euros.

Áustria, Holanda, Dinamarca e Suécia, os chamados países “frugais”, vão apresentar uma alternativa ao plano franco-alemão para um fundo da União Europeia (UE) de recuperação da crise provocada pela pandemia, anunciou esta quarta-feira o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte.

A posição surge depois de a França e a Alemanha terem apresentado, na segunda-feira, uma proposta de um fundo de recuperação para a UE de 500 mil milhões de euros, financiado por emissão de dívida pela Comissão Europeia e distribuído a fundo perdido, através de subvenções, aos países e setores mais afetados pela crise. “É uma proposta. Nós também estamos a trabalhar numa proposta. Estamos a trabalhar estreitamente com a Dinamarca, a Áustria e a Suécia”, disse hoje Mark Rutte, depois de questionado numa conferência de imprensa sobre o plano franco-alemão.

Afirmando não ter uma “data precisa” para a divulgação do plano e não querer entrar em pormenores, Rutte disse apenas que a proposta destes quatro países vai provavelmente incluir condições rígidas para ajudas distribuídas sob a forma de empréstimos. “Quando alguém quer ajuda, tem de fazer reformas abrangentes para que da próxima vez seja capaz de cuidar de si próprio. De outra forma não posso explicar à Holanda que queremos ajudar”, disse o primeiro-ministro holandês à imprensa.

Rutte admitiu que interessa à Holanda, um dos maiores exportadores europeus, que os países do sul da Europa recuperem da crise económica provocada pela pandemia associada ao novo coronavírus, mas insistiu que a ajuda implica condições. “Se pedem o nosso apoio, o mínimo que podemos fazer é perguntar o que vão fazer para garantir que se salvam a eles próprios da próxima vez”, disse.

A Holanda é um dos países europeus que se opõem à emissão de dívida pela Comissão Europeia, como defendem Portugal e outros países do Grupo dos Amigos da Coesão e como está contemplado na proposta franco-alemã. “A questão, verdadeiramente, é saber porque os países do sul não estão em condições de investir na economia tanto como nós”, disse Rutte.

A Comissão Europeia deverá apresentar a sua proposta para o fundo de recuperação, assim como para o orçamento da UE para 2021-2027, na próxima semana, propostas que têm depois de ser aprovadas pelo Conselho Europeu, constituído pelos chefes de Estado e de Governo dos 27 Estados-membros. Um plano alternativo já tinha sido evocado na terça-feira pelo chanceler austríaco, Sebastian Kurz, que disse estar a fazer consultas com a Holanda, Dinamarca e Suécia.

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