Cerca de 50 mil empresas pediram para pagar IVA e IRS faseadamente

  • Lusa
  • 22 Maio 2020

Das 48.761 empresas que aderiram a esta medida excecional e temporária, mais de um terço optou pelo plano prestacional de três meses.

Quase 50 mil empresas aderiram ao regime de pagamento fracionado do IVA e retenções na fonte, tendo estes pedidos resultado no diferimento de 498 milhões de euros de impostos, disse esta sexta-feira o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. António Mendonça Mendes falava durante um ‘webinar’ sobre “A retoma económica: pontos de vista institucionais”, promovido pela Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC).

Em declarações à Lusa, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, precisou que, daquele valor, 115 milhões de euros correspondem a diferimentos do pagamento de retenções na fonte do IRS e o restante a pedidos de diferimento de IVA.

Das 48.761 empresas que aderiram a esta medida excecional e temporária, adotada com o objetivo de mitigar o impacto da pandemia de covid-19 na tesouraria das empresas, mais de um terço optou pelo plano prestacional de três meses.

Este regime de flexibilização do pagamento das retenções na fonte do IRS e do IVA, permite que os valores devidos nos meses de abril, maio e junho sejam fracionados em três ou seis prestações, com a entrega de um terço ou um sexto no mês a que o pagamento seja devido, vencendo-se as restantes prestações na mesma data nos meses seguintes.

Assim, as que optaram por entregar um terço do IRS ou do IVA em abril, terão em maio de entregar a terça parte do imposto relativa a esse mês, acrescida de mais um terço do valor que ficou por pagar em abril. Esta lógica aplica-se de igual forma aos planos prestacionais a seis meses.

António Mendonça Mendes adiantou também que aqueles 498 milhões de euros representam cerca de um quinto (20%) do valor dos impostos a serem pagos e que os dados já disponíveis permitem concluir que as empresas de maior dimensão são as que menos recorreram a este regime prestacional de pagamento dos impostos.

Mesmo entre as micro, pequenas e médias empresas que aderiram os indicadores revelam que a medida “foi usada com parcimónia”, segundo referiu o secretário de Estado em resposta em resposta à bastonária da OCC, Paula Franco.

Em abril apenas pagaram o IVA as empresas que estão no regime mensal, ou seja, as que faturam mais de 650 mil euros por ano. Em maio, será a vez de as que estão no regime trimestral fazerem o primeiro pagamento relativo a 2020, sendo que só na próxima semana será possível perceber o nível de adesão a este regime excecional e temporário.

Hoje termina o prazo para as empresas submeterem a declaração do IVA trimestral ou mensal, tendo o imposto de ser pago até ao dia 25.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Cerca de 50 mil empresas pediram para pagar IVA e IRS faseadamente

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião