Marcelo diz que previsões do Conselho das Finanças Públicas não têm em conta apoio à economia

  • Lusa
  • 4 Junho 2020

"Aquelas previsões são previsões duras e cruas, se não houver nada, entretanto, que atenue as previsões", explicou o Presidente da República. O CFP prevê uma quebra do PIB de 7,5%.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou esta quinta-feira que as previsões do Conselho de Finanças Públicas são “duras e cruas”, não tendo em linha de conta as medidas europeias anunciadas, mas ainda não aprovadas.

Marcelo Rebelo de Sousa, que falava no final de um almoço no restaurante “Algaz”, criado pelo Centro de Apoio Social da Carregueira, no concelho da Chamusca, como forma de financiar a instituição, disse acreditar que o Conselho Europeu irá aprovar um fundo de recuperação que se somará a outros, a que acresce ainda o anúncio do Banco Central Europeu (BCE) de injeção de mais liquidez.

“O somatório destas duas realidades – o que vier de Bruxelas em termos de fundos e aquilo que é a intervenção todos os dias do BCE, indo até tão longe ou mais do que foi na crise da ‘troika’ para aguentar as dívidas públicas – pode permitir, se houver uma utilização criteriosa desses fundos, que os números finais não sejam tão brutais e tão graves como seriam se não houvesse uma bazuca mais outra bazuca, somadas”, declarou.

O BCE anunciou esta quinta-feira que prevê uma contração económica de 8,7% na zona euro em 2020, devido à pandemia de covid-19, e que decidiu aumentar em 600 mil milhões de euros o volume do programa de compra de ativos de emergência (PEPP), destinado a limitar o impacto da crise causada pelo novo coronavírus.

O montante global deste programa que foi lançado em março passado ascende agora a 1,35 biliões de euros, indicou em comunicado o BCE, que também alargou a sua duração pelo menos até ao final de junho de 2021.

Por outro lado, na reunião de hoje, o BCE deixou as taxas de juros inalteradas, com a principal taxa de refinanciamento a manter-se em zero.

Na quarta-feira, o Conselho das Finanças Públicas (CFP) estimou uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) entre 7,5% e 11,8% este ano devido à pandemia covid-19 e o início da recuperação em 2021.

Marcelo Rebelo de Sousa frisou que esta previsão foi feita sem ter em conta as medidas que estão a ser adotadas pela União Europeia, por não estarem ainda aprovadas. “Nós sabemos que vai haver medidas europeias e isso o CFP não podia tomar em linha de conta porque não está aprovado”, disse, salientando ainda medidas internas, como o plano de estabilização económica e social e a utilização dos fundos vindos de Bruxelas.

“Portanto aquelas previsões são previsões duras e cruas, se não houver nada, entretanto, que atenue as previsões”, disse, sublinhando acreditar que as medidas que estão a ser tomadas permitirão que a situação “seja menos grave” que a apontada pelo CFP.

Questionado sobre a afirmação do primeiro-ministro, António Costa, de que não é possível passar esta crise sem dor, o Presidente da República sublinhou que o que está em causa “é saber se a dor é muito mais intensa ou menos intensa, se dura mais tempo ou menos tempo”.

“Não podemos estar a negar a gravidade da situação. Vai ser difícil. Já está a ser difícil na vida das pessoas”, afirmou, acrescentando acreditar que a União Europeia terá percebido que não deveria cometer “alguns erros que cometeu aquando da crise da ‘troika’”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Marcelo diz que previsões do Conselho das Finanças Públicas não têm em conta apoio à economia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião