Praia em segurança? Este “abrigo” ecológico salva-o das multidões e tira plástico do mar

Em forma de hexágono, o OceanBee é feito em plástico 100% reciclado e tem espaço para cinco pessoas do mesmo núcleo familiar. Cada abrigo equivale a 230 kg de plástico retirado da costa portuguesa.

Imagine chegar à praia e ter à sua espera um “abrigo” em forma de hexágono de 10 m2 — com chapéu-de-sol e corta-vento — para estender calmamente a toalha e manter a sua família protegida, garantindo o distanciamento social a que obriga a pandemia mundial de Covid-19. A ideia, que partiu de Luiz Brandão Rodrigues, Carlos Ramos do Carmo e Francisco Brandão, dois engenheiros e um designer 3D, todos com espírito empreendedor, já se encontra registada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Além desta “função anti-coronavírus”, o OceanBee – Safe Beach Hub (assim chamado pelos seus criadores por fazer lembrar um favo de mel) é também amigo do ambiente, já que é feito com plástico retirado do mar, em parceria com a empresa Extruplás, especializada em reciclar, recolher e recuperar plásticos a partir dos quais produz mobiliário urbano, em plástico 100% reciclado, evitando assim que estes resíduos tenham como destino final o aterro.

Com um fabrico industrial 100% nacional, este módulo balnear é composto por várias peças de plástico, “tipo lego”, de polietileno 100% reciclado e sem pigmentos de cor para facilitar a sua reciclagem futura. As peças podem ser cinzentas ou castanhas. Cada um dos abrigos, que equivale a 230 kg de plástico retirado da costa portuguesa, inclui também os respetivos recipientes reciclados e recicláveis (em papel kraft) para depositar beatas, lixo orgânico e embalagens.

O primeiro protótipo está concluído e foi já apresentado à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a todas as autarquias do país, incluindo as do interior, já que o conceito pode ser adaptado tanto a praias de mar, como fluviais.

Esta semana, os empreendedores deram início a um roadshow nacional na cidade de Tavira, no Algarve (englobando as zonas desde Albufeira até Vila Real de Santo António) para dar a conhecer o projeto aos concessionários de praias (sobretudo hotéis e restaurantes) e Câmaras Municipais da região. Dentro de alguns dias, o roadshow subirá pela costa portuguesa e terá repetição mais a norte.

“O objetivo é proteger as famílias, que assim poderão manter de forma organizada o distanciamento social de acordo com a lei. O OceanBee permite ganhar 2,5 vezes mais espaço nos areais das praias portuguesas”, sublinham os inventores. E dão o exemplo: em 1.000 m2 de praia (aproximadamente 35 por 30 m2) cabem 40 hexágonos e 40 famílias. E equivale a retirar 9,2 toneladas de plástico do mar e da costa portuguesa, garantem.

Cada hexágono tem espaço para acolher até cinco pessoas do mesmo núcleo familiar (um casal e três filhos, por exemplo). Se os avós se juntarem na ida à praia, é possível unir dois “abrigos” e aumentar a área disponível de 10 para 20 m2. Para famílias mais numerosas, garantem, os hexágonos podem ser unidos entre si para criar uma área maior de lounge.

Os abrigos são numerados rastreáveis e podem incorporar um chip real-write para contagem ou localização via GSM. Com os lugares nos areais limitados a um número máximo de pessoas este verão, o OceanBee permite uma “fácil perceção do número de ocupantes nas praias e uma gestão do número de utilizadores” em tempo real.

Os criadores do OceanBee sublinham ainda vantagens económicas, como a possibilidade de colocar anúncios publicitários nos corta-ventos dos abrigos e assim gerar receitas para as concessionárias e autarquias, e ainda promover as empresas e o comércio local. Com o vento a soprar forte em muitos locais da costa portuguesa, os corta-ventos são amovíveis, consoante o quadrante.

Com um tempo de vida de 30 anos, as peças de plástico reciclado e também ele reciclável permitem ainda criar no areal corredores de circulação de entrada e saída da praia e também da zona de banho.

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