Mais de 20% do crédito está “protegido” pelas moratórias. Prazo pode ser insuficiente, alerta o Banco de Portugal

Quase 40 mil milhões de euros em empréstimos estão associados às moratórias. Banco de Portugal avisa que período da moratória poderá ser insuficiente face ao impacto da pandemia.

Do total de 175 mil milhões de euros de crédito concedido pela banca portuguesa, cerca de 22% (39 mil milhões de euros) está “protegido” pelas moratórias públicas e privadas, de acordo com os dados divulgados pelo Banco de Portugal, que alerta que o período da moratória poderá ser insuficiente face ao impacto da pandemia.

As moratórias foram introduzidas no final de março, permitindo que as famílias e empresas afetadas pela crise possam suspender temporariamente o pagamento das prestações e/ou juros dos empréstimos sem qualquer penalização. Para os bancos, a medida também tem vantagens, uma vez que o aumento do incumprimento do crédito levaria a uma subida do rácio do malparado e a um maior “consumo” de capital.

Recentemente, o Governo alargou o prazo da moratória de setembro para março de 2021, pelo que muitos clientes só vão pagar novamente ao banco em abril do próximo ano.

Ou seja, a moratória criou um “balão de oxigénio” para a economia e o próprio Banco de Portugal sublinha no Relatório de Estabilidade Financeira de junho de 2020, publicado esta quarta-feira, que é um “importante instrumento na mitigação do risco de liquidez, fornecendo uma janela temporal de proteção dos mutuários e, por essa via, ao sistema financeiro”.

O supervisor alerta que as consequências económicas e financeiras da pandemia poderão prolongar-se muito para além do fim previsto do período de vigência dos regimes de moratórias.

“Pelo que, após o seu término, poderá ocorrer um aumento do incumprimento das obrigações de crédito tanto dos particulares, como das empresas“, avisa o Banco de Portugal, frisando que “é fundamental que os regimes de moratória sejam acompanhados por outras medidas de apoio à liquidez e solvabilidade dos diferentes agentes económicos e de relançamento da economia”.

De acordo com os dados do Banco de Portugal, atualizados a 18 de junho, foram as empresas que mais pediram este apoio. Do total do crédito concedido às empresas, 30% está associado ao regime de moratória. Na parte dos particulares, o crédito abrangido pela moratória pública e privada representa cerca de 17% do total do crédito.

Segundo as estimativas dos próprios bancos, as prestações associadas a estes créditos, até 30 de setembro de 2020, totalizam cerca de 2,8 mil milhões de euros, no segmento de crédito a empresas, e 600 milhões no segmento de crédito a particulares.

Estes dados têm por base informação dos oito principais bancos a operar em Portugal.

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