Boomerang e trabalho remoto: as armas da Farfetch para a “atração contínua”

Em 2014 eram 190. Agora, mais de 2.200, só em Portugal. O unicórnio com ADN nacional escalou negócio e equipa. A acompanhar esta revolução, a VP de People, Ana Sousa.

Ana Sousa é diretora de recursos humanos da Farfetch.

Foi um “zero” que a entusiasmou. Em 2014, Ana Sousa foi contactada por uma equipa de executive search que estava a desenvolver um processo para um responsável de recursos humanos na Farfetch, em Portugal. “A possibilidade de construir uma equipa quase do zero era um desafio único e um marco de viragem na minha vida profissional”, conta à Pessoas.

Na altura, Ana foi liderar a equipa de recursos humanos na Farfetch, o unicórnio com ADN português fundado por José Neves. Seis anos depois, a empresa – que na altura contava com uma equipa de 190 pessoas – multiplicou-se muitas vezes, para mais de 4.500 elementos. “Hoje somos mais de 2.200 em Portugal e mais de 90 pessoas na People Team. Foram anos consecutivos de crescimento rápido e exponencial, o que quer dizer que estamos constantemente a adaptar-nos a novas realidades, guiados por um elemento constante: as pessoas”, assegura a VP de People da tecnológica.

O gosto pelas pessoas nasceu cedo, quando Ana Sousa percebeu que aquilo que a motivava era “perceber dinâmicas relacionais e investigar razões que levam os seres humanos a reagirem e a comportarem-se de determinada forma”. “Quando me candidatei à universidade, a minha motivação natural era seguir Medicina. Não tendo sido admitida, entrei em Psicologia com o objetivo de fazer apenas o primeiro ano. Acabei por ficar e por gostar”, explica a VP de People da Farfetch, licenciada em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade de Évora.

Depois da licenciatura, Ana fez um mestrado em gestão com especialização na área de recursos humanos, além de outras formações em escolas como a Porto Business, Stanford e Harvard. Antes da Farfetch, a portuguesa passou pela Alert e pela Blip: na tecnológica de moda de luxo, a especialista tem acumulado desafios na atração e na retenção de talento, que Ana prefere tratar como de “atração contínua”. “Não se trata só de identificar e recrutar. Temos de investir nas pessoas, dar-lhes as oportunidades de desenvolvimento que elas ambicionam, dar uma resposta capaz àquilo que são as expectativas legítimas de cada um. Para isto acontecer, é muito importante o ambiente que promovemos na Farfetch, uma proximidade autêntica que nos permite conhecer cada pessoa e antecipar os passos necessários para que sintam sempre que o trabalho que estão a desempenhar tem significado e importância para elas e para a empresa”, esclarece.

Talvez por isso, a VP de People da Farfetch sublinhe olhar para os fluxos de entrada e de saída de pessoas nas empresas com “muita naturalidade”. “Fazem parte de um ciclo que é normal e não devemos estar melindrados (…) Costumo dizer que as pessoas devem sair pelas razões certas. Ficamos orgulhosos e felizes quando isso acontece, mas trabalhamos todos os dias para que as razões erradas sejam minimizadas”, assinala.

Ana assume também que a empresa está em constante construção daquilo que os atuais e os potenciais membros da equipa valorizam. “Há claramente uma mudança de paradigma. As pessoas passaram de uma mentalidade em que procuravam a estabilidade, segurança, o emprego para a vida, para agora estarmos perante candidatos que precisam de sentir que a empresa não está apenas preocupada em ser lucrativa, que tem um sentido ético, um propósito com o qual os candidatos se identificam”, sublinha.

No entanto, é sobretudo focada numa happy people revolution, numa revolução de pessoas felizes, que a responsável de recursos humanos trabalha diariamente. “Esta é a realidade que não muda na Farfetch”, assegura.

Para isso, contribui uma oferta “alargada” de benefícios, que inclui iniciativas de saúde, bem-estar e flexibilidade, programas de inclusão consciente e uma estratégia de desenvolvimento. “Diria que ao nível da proposta de valor para as pessoas, as nossas iniciativas de well being e flexibilidade destacam-se no mercado”, assinala.

Um dos programas que Ana considera diferenciador dentro do mercado chama-se Boomerang e dá acesso a uma licença sabática, de até 8 semanas, paga pela empresa. “Podem beneficiar deste programa todos os colaboradores que estejam na Farfetch há pelo menos cinco anos – renovando essa possibilidade a cada cinco anos. Através deste programa, promovemos o reconhecimento daqueles que têm um comprometimento com a empresa há mais tempo, dando exatamente o mesmo: tempo e espaço para que possam realizar os seus propósitos, que podem passar por voluntariado, viagens, estudar, ou outras iniciativas que valorizem”, justifica.

Em preparação, adianta, está um programa-piloto que que dará a possibilidade aos colaboradores da Farfetch de trabalharem remotamente durante períodos mais alargados. “Podem surgir questões familiares que levam a pessoa a ter que mudar de país durante um determinado período balizado no tempo, por exemplo, e esse, só por si, não deve ser o motivo para se quebrar a ligação com o colaborador. Por outro lado, estamos a contribuir para o bem-estar e segurança psicológica dessa pessoa, que, ao manter a sua estabilidade familiar e emocional, terá todas as condições para continuar produtiva”, assinala ainda.

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