Sete em cada 10 startups mantêm atividade do pré-Covid. Mas muitas sentem o impacto do vírus

A área de software empresarial é a que tem maior número de empresas ativas (35,2%), seguida das áreas da saúde e dos transportes, cada uma com 7,7%.

Mais de sete em cada dez startups continuam a trabalhar como antes da pandemia de coronavírus, avança o estudo “O futuro do ecossistema empreendedor em Portugal”, organizado pela associação Startup Portugal em conjunto com a EY.

Das startups que continuam a trabalhar normalmente — por exclusão de ocorrência de suspensão temporária, da eminência de suspensão, ou do próprio encerramento –, a área de software empresarial é a que tem maior número de empresas ativas (35,2%), seguida das áreas da saúde e dos transportes, cada uma com 7,7%.

“É um setor altamente inovador na medida em que assenta o seu negócio em tecnologia. E por isso consegue ter uma imunidade muito superior a outros setores da economia e consegue estar em contraciclo económico”, explica André de Aragão Azevedo, secretário de Estado para a Transição Digital, durante o webinar de apresentação do estudo.

Apesar de o surto pandémico ter tido influência em todos os setores de atividade e da economia em geral, apenas 28,2% das startups indica ter tido um impacto negativo na situação laboral da empresa. Dessa percentagem, 19,8% está com a atividade temporariamente suspensa, 4,6% prestes a suspender a atividade temporariamente e 3,8% já encerraram.

Ainda que a maioria das startups continue a trabalhar como antes da pandemia, 57% das inquiridas confirma que a Covid-19 impactou muito e bastante o seu “business as usual“, 7,4% indica “algum impacto” e 30% avança que o impacto não foi considerável. Apenas 5,6% diz que a pandemia não teve qualquer impacto. “Em relação às áreas das empresas mais afetadas, 35,5% das startups confirma que sofreu uma diminuição das vendas, 33,9% um adiamento ou atraso de projetos e 17,7% um adiamento de investimento. Somente 4,8% refere a impossibilidade de operação por encerramento obrigatório e 3,2% destaca dificuldades na obtenção de matéria-prima”, explica o estudo.

“As empresas foram questionadas sobre o estado em que se encontra a sua atividade. O facto de estarem a ‘a laborar normalmente’ não significa que as empresas não tenham sofrido impacto na sua atividade, seja por adiamento de investimentos, por necessidade de trabalho remoto, por diminuição da atividade comercial, ou por uma qualquer outra razão específica de cada uma das empresas inquiridas. Por circunstâncias externas resultantes da situação atual, muitas conseguiram adaptar-se e/ou, dispunham dos recursos necessários para manter a sua atividade, explica Miguel Amado, partner da EY responsável de consultoria para o setor público, ao ECO.

Das duas centenas de participantes, mais de quatro em cada dez startups assegura que a Covid-19 criou novas oportunidades de negócio. O relatório, desenvolvido com base em inquéritos online, foi realizado a 200 fundadores e CEO’s de startups com sede em Portugal, entre os dias 17 de maio e 8 de junho.

Medidas, precisam-se

Além de avaliar o impacto da pandemia no dia-a-dia das startups que integram o ecossistema empreendedor nacional, o estudo adianta ainda os tipos de apoio considerados úteis para as empresas, atualmente. De acordo com as conclusões, 47,7% dos fundadores e CEO’s das startups inquiridas remete para “incentivos e isenções fiscais” e 28,9% assinala “oferta de novos apoios financeiros com o apoio do IFD”. Já 14,2% assinala a “oferta de novos apoios financeiros através de linhas de crédito tradicionais com garantia mútua” como uma opção possível. Para 9,2%, há ainda outras medidas a considerar, como a diminuição da TSU para as microempresas, a isenção de pagamentos à Segurança Social, nomeadamente durante o tempo em que os custos correntes se sobrepõem à faturação, o acesso a Capital de Risco (Venture Capital), a existência de programas de apoio financeiro a fundo perdido, um quadro legal e fiscal que permita uma maior competição com as startups internacionais, ações de matchmaking entre startups e possíveis investidores e a injeção direta de liquidez nas empresas com quebra acentuada de receita.

O Governo lançou, em meados de abril, um conjunto de cinco novas medidas de apoio ao ecossistema empreendedor português, no valor de 25 milhões de euros. Em comunicado, o Executivo explicava que o valor permitirá dar apoio ao ecossistema constituído por mais de 2.500 startups, apoiando-as potencialmente, em média, em 10 mil euros para cada uma. Entre as medidas estão apoios financeiros equivalentes ao salário mínimo, a prorrogação do Startup Voucher e um reforço no vale incubação, entre outras.

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