Ninguém quer deixar cair a TAP. Mas que peso tem na economia?

O Governo, entre outros, argumenta que a TAP é demasiado importante para a economia portuguesa para cair. Mas, afinal, qual é o impacto económico da empresa?

Perante o impacto da crise pandémica nas transportadoras aéreas, o Governo argumenta que “seria um desastre para o país deixar cair a TAP”, como disse o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, na audição parlamentar que foi dominada pela ajuda que será dada pelo Estado à companhia aérea, à semelhança do que fizeram outros países europeus, e pelo cenário de nacionalização. Em cima da mesa está um custo potencial de 1.200 milhões de euros, com impacto no défice e na dívida pública. A questão impõe-se: qual é a importância da TAP para a economia portuguesa?

Comecemos pelos dados económicos. Na audição no Parlamento, Pedro Nuno Santos argumentou que “quando estamos a falar da TAP, não podemos ficar limitados aos resultados enquanto empresa”. E deu exemplos: o grupo TAP paga o salário a mais 10 mil trabalhadores, encontrando-se entre as empresas que mais empregam no país, e, segundo o ministro, “compra 1.300 milhões de euros a empresa nacionais“. Em entrevista ao podcast ECO Insider, o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, revelou que a indústria aeronáutica e aeroespacial, que também é “alimentada” pela TAP, gera exportações que equivalem a mais de 1% do PIB português (cerca de dois mil milhões de euros).

Não há dados oficiais para o confirmar, mas Siza Vieira revelou ainda que a TAP é a segundo maior exportadora nacionala empresa diz que é a maior –, contribuindo para o “equilíbrio da balança de pagamentos”. Contudo, também é de notar que a empresa é a segunda maior importadora de bens, segundo os dados de 2019 do Instituto Nacional de Estatística (INE), principalmente por causa da compra de aviões e das peças e motores que usa para fazer a manutenção de aviões de outras transportadoras. No caso da TAP, as exportações serão mais de serviços e não de bens — nesta ótica, é a Autoeuropa a maior exportadora do país –, mas o ranking do INE refere-se apenas aos bens.

Ainda de acordo com o ministro da Economia, o Governo fez uma avaliação da importância estratégica de vários setores económicos que estão a ser impactados pela crise, medindo o seu valor acrescentado, o efeito multiplicador na economia, o impacto fiscal — a TAP paga 300 milhões de impostos por ano, segundo Pedro Nuno Santos — e a indução de atividades de alto valor. “[Nessa avaliação], o transporte aéreo está bem lá em cima”, garantiu Siza Vieira.

É complexo chegar a um valor final sobre qual o contributo da TAP para a economia portuguesa, mas há tentativas, como desta dissertação de mestrado de 2018 do Departamento de Aeronáutica e Transportes da Escola de Ciências Económicas e das Organizações da Universidade Lusófona em que se conclui que o contributo tem sido, em média, de 2,2% do PIB nos últimos anos. No final de 2018, a própria empresa estimativa ter um peso de 3,5 mil milhões de euros no PIB, o que também equivale a cerca de 2% (tendo em conta o PIB de 2018). Este é o impacto direto, mas também é preciso contabilizar os efeitos indiretos da atividade da empresa, nomeadamente no turismo.

O país precisa de uma companhia com a TAP porque nos dá ligação ao mundo”, argumentou Siza Vieira, explicando que a TAP, ao fazer certas ligações, “justifica que outras companhias voem para Lisboa e sejam alimentadas por um hub que se desenvolve à volta desta companhia”. Segundo o ministro da Economia, 90% das pessoas que chegam ou saem de Portugal, sejam portugueses ou estrangeiros, é por via aérea, e a TAP transporta 50% dessas pessoas, ou seja, 45% de todos os passageiros aéreos que passam pelo país, o que reflete o impacto que a empresa pode ter no turismo português.

Mas também há os argumentos estratégicos. Sem a TAP, Siza Vieira admite que havia ligações à Europa, mas que seria necessário ir a Madrid para chegar a África (Angola, por exemplo), EUA ou Brasil, o que “fragilizava” a “autonomia estratégica do país e a capacidade de afirmação no mundo”. Além disso, tem sido dado o argumento de que a ausência da TAP colocaria em causa as rotas para as Regiões Autónomas e, por isso, a “integridade do território nacional”. O primeiro-ministro tem referido ainda a importância face à diáspora, com as ligações que existem entre os países onde há mais portugueses emigrados.

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