Novo Banco garante que vendeu imóveis “através de concursos internacionais, transparentes e abertos”

O Novo Banco emitiu uma nota de esclarecimento onde nega ter vendido "imóveis com desconto". Vendas foram feitas "através de concursos internacionais, transparentes e abertos".

O Novo Banco nega ter vendido “carteiras de imóveis com determinado desconto sobre o valor de mercado”. Falando em notícias “totalmente infundadas” e que “exigem um esclarecimento”, o banco liderado por António Ramalho garante que as vendas de imóveis, designadamente as carteiras Sertorius e Viriato, assentaram em “concursos internacionais, transparentes e abertos”.

Em causa está, desde logo, uma notícia do Público de quarta-feira, que dava conta de que o banco tinha vendido ativos com 70% de desconto a um fundo ao qual o chairman do banco esteve ligado. Segundo o jornal, o banco terá perdido 329 milhões de euros com a transação de uma carteira de 200 imóveis em agosto de 2019 (a “Sertorius”) ao fundo Cereberus, gerido por Byron Haines até este assumir o cargo de chairman do Novo Banco.

Num comunicado enviado às redações, o Novo Banco vem agora prestar mais esclarecimentos. Relativamente à carteira “Sertorius”, aponta que “13% da carteira eram imóveis residenciais, 6% hotelaria e o restante terrenos, industriais ou comerciais sem uso”. “Foram contactados 48 investidores, recebidas cinco propostas, selecionados três investidores dos quais dois estiveram na negociação final ganha pela Cereberus”, assegura o Novo Banco.

“A venda foi aprovada nos órgãos estatuários do banco e para 20% da venda que estava protegida pelo Mecanismo de Capital Contingente, obtido a autorização do Fundo de Resolução”, salienta ainda a instituição. A carteira foi “vendida por 159 milhões de euros”, sinaliza o Novo Banco.

No caso da carteira denominada “Viriato”, o Novo Banco detalha que 47% da mesma eram “imóveis residenciais” e os restantes eram terrenos industriais ou comerciais, igualmente “sem uso”. “Foram contactados 48 investidores, foram recebidas sete propostas, selecionadas duas propostas mais altas para uma negociação final ganha pela Anchorage Capital”, refere.

Uma vez mais, “a venda foi aprovada nos órgãos estatuários do banco e para 17% da venda que estava protegida pelo Mecanismo de Capital Contingente, obtida a autorização do Fundo de Resolução”, sublinha a mesma nota. A carteira foi “vendida por 364 milhões de euros”, acrescenta também o banco.

“Assim, o montante de 523 milhões de euros (364 milhões + 159 milhões) foi o preço de mercado obtido para estes imóveis através de concursos internacionais, transparentes e abertos”, reforça o Novo Banco.

Diferença de preços “não é um desconto”

No comunicado em causa, o Novo Banco não nega que o montante recebido pela vendas de cada uma das carteiras de ativos imobiliários tenha sido inferior ao valor das mesmas. Contudo, nega ter-se tratado de um desconto.

“A diferença quanto ao valor de avaliação do balanço destes imóveis, que sempre pode existir, não é um desconto, é o efeito da diferença entre o preço de mercado e o valor de avaliações que seguem o método de custo ou que assumem diferentes estimativas de capacidade construtiva”, justifica, acrescentando ainda que “as vendas são todas sujeitas aos direitos de preferência em vigor em Portugal e previamente inseridas no Portal casa, pronto para esse efeito”.

“O Novo Banco, entre dezembro de 2017 e dezembro de 2019, reduziu a sua carteira de imóveis em 56% e atualmente tem registado em balanço 1,1 mil milhões de Euros de imóveis. Seguiram-se os preceitos previstos na legislação bancária nacional e adicionalmente cumpriu-se assim o Compromisso 12 acordado entre a Comissão Europeia e o Estado Português.

(Notícia atualizada pela última vez às 12h54)

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